sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A "Escola [Artística] de Gaia": exposição da BPMVNG integrada na II Bienal Internacional de Arte Gaia/2017

Apresentação


A “ESCOLA DE GAIA” – razões para uma exposição

                “Circumstancias ainda não definidas fizeram com que Villa Nova de Gaya occupe um logar  proeminente, senão superior em importancia e extensão aos outros centros artísticos do país, no actual movimento da Arte em Portugal. E, se ainda se não fala da Escola de Esculptura de Gaya, que eu saiba pelo menos, se ninguem por emquanto aventou essa maneira de dizer, tudo entretanto me leva a crêr que dentro de alguns annos assim se dirá, por um facto de consagração semelhante ao que tão conhecido tornou o sitio de Barbison, da floresta de Fontainebleau.”                                                                                                                    
                                                                                                                     António Arroio (1909)


         O desenvolvimento da temática da “Escola de Gaia”, no âmbito da 2ª Bienal Internacional de Arte Gaia 2017, resultou de uma parceria estabelecida entre a entidade organizadora e a Biblioteca Municipal de Gaia, costumado “cais de abrigo” das exposições dos “Artistas de Gaia”. Num certame virado para a modernidade, o nosso contributo apela ao conhecimento e à reflexão sobre a tradição artística gaiense de que a florescente geração atual de artistas é tributária.
         Deste modo, aproveitando as sinergias criadas com as exposições evocativas organizadas por este espaço cultural municipal, na rememoração da vida e obra artística de alguns discípulos de Teixeira Lopes, esta participação visa evocar a tradição artística gaiense, cultivada por artistas diplomados, que catapultou a “marca” Gaia e permitiu inscrever, nos últimos 150 anos, alguns dos seus agentes entre os nomes cimeiros do panorama artístico nacional.
         O termo “Escola de Escultura de Gaia” ou “Escola de Gaia”, numa aceção mais abrangente a outras disciplinas artísticas, foi criado por António Arroio como acima fica dito, para designar este movimento artístico, considerando o autor que Soares dos Reis foi “o elo inicial da cadeia, o mestre fundador da escola” e António Teixeira Lopes o “continuador da acção educadora do autôr do Desterrado”. Foram os discípulos de Soares dos Reis (gerações várias de pintores, escultores e arquitetos) que estabeleceram uma continuidade de acção, embora sem códigos impostos de regras de arte, responsável pela criação de centenas de obras artísticas que preenchem as praças públicas e os museus de Portugal e do Mundo.
         É esse imenso património, capaz de projetar a marca de Gaia no Mundo, que faz parte da mostra documental e iconográfica, representativa de mais de duas dezenas de artistas gaienses, que vos convidamos a visitar.

Vila Nova de Gaia, 15 de maio de 2017

António Conde – curador da exposição

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