terça-feira, 31 de maio de 2016

EXPOSIÇÃO DE HOMENAGEM AO ESCULTOR GAIENSE ZEFERINO COUTO (1890-1982) – 125º ANIVERSÁRIO DO NASCIMENTO

D. Gualdim Pais (Amares)

Manuel Vieira Gomes (busto, Braga)

Irmãos Roby (Braga)

Monumento aos Mortos da Grande Guerra (Fafe)

Vacaria do Mosteiro de Grijó (Vila Nova de Gaia)

Teatro Circo (Braga)


Evocação da vida e obra do Escultor Zeferino dos Santos Couto

Com a presente exposição de homenagem a Biblioteca Municipal de Gaia, através da Sala de Fundo Local, cumpre mais uma iniciativa de resgate da memória histórica de personalidades gaienses que a “poeira dos tempos” foi tornando figuras ignotas ou cujo contributo para o progresso da humanidade (a nível local, nacional ou internacional) nunca foi devidamente reconhecido.
Na vertente artística já aqui homenageámos os escultores António de Azevedo e Henrique Moreira que foram condiscípulos de Zeferino Couto e finalistas do curso de Escultura da Academia Portuense, juntamente com Diogo de Macedo e Fernandes Caldas, no ano de 1911. David Pedrosa apelidou de “cinco magníficos” este naipe de discípulos de Teixeira Lopes, membros da chamada “Escola de Gaia” e profícuos criadores de notáveis obras de escultura espalhadas por todo o País.

Zeferino dos Santos Couto, nascido no lugar de Lavadorinhos (freguesia de Olival) em 13.06.1890 é o menos conhecido artista da sua geração. Homem discreto, depois de cursar Desenho Histórico e Escultura, em que se formou, matriculou-se em Arquitetura, na Academia Portuense de Belas Artes, curso que não concluiu. Ao contrário de alguns dos seus condiscípulos não fez estudos em Paris, nem trabalhou no ateliê do mestre Teixeira Lopes ou outro, antes seguiu um caminho autónomo. Em 1965, em entrevista dada ao jornalista Rui Osório, definiu-se como um artista seguidor das linhas classizantes, nos seguintes termos: “Não sigo Escola nenhuma. Exprimo-me ao gosto clássico. Visitei Roma recentemente e lá senti-me como em casa”.
Após uma primeira (e única) participação com trabalhos seus na exposição dos modernistas, no Jardim Passos Manuel, em 1915, Zeferino Couto (que já trabalhava em escultura artística e religiosa) radicou-se em Braga, onde trabalhou no ateliê do arquitecto João de Moura Coutinho e designadamente nas obras do Teatro Circo da capital minhota.
Em 1921, já casado, seguiu a carreira do ensino como professor de desenho na Escola Industrial Bartolomeu dos Mártires, em Braga, onde leccionou durante cerca de quatro décadas.
Depois da aposentação e já viúvo, no início da década de 60, regressou à sua casa de Lavadorinhos (em Olival, Gaia) onde viveu uma longa e repousante velhice. Não se lhe conhece obra deste período.
Faleceu no final do mês de Outubro de 1982, aos 92 anos de idade, sendo sepultado no cemitério de Olival.

Foi em Braga e imediações (Amares, Vieira do Minho e Fafe) que Zeferino Couto assinou a quase totalidade da sua modesta coleção de obras artísticas, repartida entre a encomenda pública (civil e religiosa) e a encomenda particular, constituída por pequenas estátuas, máscaras, bustos, baixos-relevos e fontes decorativas, em granito ou bronze. Ao todo não existirão mais de três dezenas de trabalhos da sua autoria o que denota a modicidade da sua produção artística. Ainda assim cremos que existirão mais obras em coleções particulares, cujo paradeiro é incerto, ou cujos atuais proprietários desconhecem a sua autoria.

O nosso trabalho de pesquisa acusou, à partida, algumas dificuldades assentes em razões várias:
. A bibliografia existente resume-se a pouco mais que dois pequenos estudos, um de 1965 e outro de 1979, da autoria de Rui Osório e de David Pedrosa, respetivamente, que dão a conhecer parte da obra do escultor ao tempo em que ainda era vivo.
. Não encontrámos nada publicado sobre as últimas décadas de vida, onde foram passadas e onde faleceu.
. Não foi possível localizar familiares que, eventualmente, possuam alguma obra, bem assim informações, documentação e fotografias do escultor.
. Em Braga, cidade onde passou quatro décadas da sua vida e deixou a quase totalidade da sua obra, não existe nada publicado a respeito da sua vida e obra. Provavelmente só a consulta da imprensa local e do arquivo do município, onde pertenceu à Comissão Municipal de Estética, poderá acrescentar alguns dados novos à sua biografia.
. Algumas entidades contactadas, onde pretensamente existe obra da sua autoria, não foram muito colaborantes.

Contudo, ao longo do processo, tivemos o privilégio de aceder a informações várias que foram extremamente preciosas para conhecer algo mais sobre a sua obra, em Braga, e sobre a fase final da sua vida, em Olival, através do relato de quem o acompanhou diariamente nos últimos anos de vida. A uns e outros, no devido lugar, apresentamos os nossos agradecimentos.
Estamos convictos que o trabalho que ora se apresenta resulta numa mais-valia para o conhecimento da vida e obra do escultor Zeferino Couto aqui evocado na passagem do 125º aniversário do seu nascimento.

Agradecimentos
. Doutor Eduardo Pires de Oliveira (Braga)
. ASPA – Associação para a Defesa, Estudo e Divulgação do Património Cultural e Natural - Braga
. Monsenhor Rui Osório (Foz do Douro, Porto)
. Sr. Nelson Carvalho (Olival)
. D. Helena Castro (Olival)
. Escola Secundária Alberto Sampaio (Braga)

Nota: A Exposição decorreu na BPMVNG de 9 de outubro a 30 de novembro de 2015

Texto de António Conde

Sala de Fundo Local e Regional Armando de Matos, Maio 2016