terça-feira, 31 de maio de 2016

125º Aniversário do nascimento do escultor Zeferino Couto (1890-1982) - Cronologia

Zeferino Couto

Casa onde nasceu  e viveu (Olival)

Igreja de Olival, onde foi batizado

Pauta de classificações da Escola de Belas Artes do Porto

Os "Cinco Magníficos" discípulos de Teixeira Lopes
(António de Azevedo, Sousa Caldas, Diogo de Macedo, Zeferino Couto e Henrique Moreira) 

Lugar de Lavadorinhos, Olival, onde nasceu e viveu o escultor
Cronologia da vida e obra:

1890.13.06 – Nasceu no lugar do Carvalho (Olival, Vila Nova de Gaia) filho de Manuel Santos Couto e de Maria do Couto.
1890.06.21 – Foi baptizado na igreja de Olival pelo pároco encomendado Caetano Afonso Ribas tendo como padrinhos José de Oliveira Lopes e sua mulher Rosa Pereira da Silva.
1904.08.10 – Concluiu em Vila Nova de Gaia o exame de instrução primária elementar do 2º grau tendo sido aprovado.
1905.09.08 – O abade da paróquia de Olival, António José Ferreira, atestou o seu bom comportamento moral, cívico e religioso, para efeitos de matrícula na Academia Portuense de Belas Artes e designa-o como aprendiz de escultor.
1905.10.24 – Matriculou-se no primeiro ano do Curso de Desenho Histórico da Academia Portuense de Belas Artes, processo aprovado em 30 de Outubro.
1906.10.06 – Tendo sido aprovado no 1º e 2º anos de Desenho Histórico matriculou-se no 3º ano de Desenho Histórico e 1º de Escultura e Anatomia.
1907.10.08 – Matriculou-se no 4º ano de Desenho Histórico e no 2º ano de Escultura e Anatomia.
1908.10.12 – Mudou a sua residência escolar para a Rua de Santo Ildefonso, nº 222, da cidade do Porto.
. Matriculou-se no 5º ano de Desenho Histórico e no 3º ano de Escultura e Anatomia.
1909.10.25 – Matriculou-se no 4º ano de Escultura.
1910 – Dedicou-se à escultura religiosa e trabalhou no Presépio da Igreja do Bonfim.
1910 – outubro – Ainda estudante esculpiu um medalhão, a que deu o título “Semeia e cria terás alegria”, que encima o pórtico da vacaria do mosteiro de Grijó.
1910.10.18 – Matriculou-se no 5º ano de Escultura.
1911 – maio/junho – trabalho de final de curso, sob orientação do professor de Escultura, escultor António Teixeira Lopes, sob o tema “Um homem do povo, mortalmente ferido no último arranco da agonia, grita: Viva a Pátria!”
1911 – julho – Finalizou o curso de Escultura, sendo condiscípulo de Diogo de Macedo, José Sousa Caldas, António de Azevedo e Henrique Moreira.
1911.09.29 – Matriculou-se no 1º ano do curso de Arquitetura na Academia Portuense de Belas Artes.
1912.09.30 – Matriculou-se no 2º ano do curso de Arquitetura e Perspetiva Linear.
1913.10.07 – Matriculou-se no 3º ano do curso de Arquitetura e Perspetiva Linear.
1914.06.15 – Sofreu de dispepsia o que o impediu de frequentar as aulas.
1914.07 – No final do 3º ano abandonou o curso de Arquitetura que não chegou mais a completar.
1915 – Em Braga trabalhou com o Arquiteto Moura Coutinho na decoração do Salão Nobre e fachada do Teatro Circo e suas dependências.
. Executou a máscara “Comédia”, na fachada principal do Teatro Circo.
1915 – Maio/Junho – Participou com esculturas da sua autoria (juntamente com os condiscípulos ligados qo modernismo, Diogo de Macedo e António de Azevedo) no Salão dos Humoristas que teve lugar no Jardim Passos Manuel, no Porto.
1918 – Casou com a sua conterrânea D. Maria Lopes Nobre, professora do ensino primário.
1919.10.20 – Nasceu seu filho Norberto do Couto Nobre.
1920 – Esculpiu a fonte monumental luminosa para a Casa Rego, de Semelhe, nos arredores de Braga.
1922 – Nasceu seu filho Zeferino Nobre do Couto.
1923.01.19 – Tomou posse como professor contratado da disciplina de desenho na Escola Industrial Bartolomeu dos Mártires.
1925.08.08 – Propôs à Câmara Municipal de Braga fazer gratuitamente as maquetes dos bustos de Camilo e João Penha o que não veio a concretizar-se.
1927.08.29 – Nasceu seu filho Tomás de Aquino que morreria ainda criança, aos seis anos de idade.
1929.09.06 – Sendo professor contratado de Desenho Geral e Ornamental da Escola Bartolomeu dos Mártires, de Braga, foi nomeado, por decreto deste dia, professor efectivo da mesma disciplina e escola.
1931.07.12 – Foi inaugurado o monumento aos mortos da Grande Guerra em Fafe, com projeto de arquitetura de Manuel Maria Marques dos Reis e esculturas de Zeferino Couto.
1934.01.01 – Faleceu o seu filho Tomás de Aquino.
1942 – Colaborou como comissário técnico dando parecer sobre o Plano de Urbanização de Braga encomendado ao urbanista Etienne De Gröer.
1942.10.16 – Foi inaugurada a capela privativa do Seminário Conciliar de Braga com obras de escultura de Zeferino Couto
1943 – Promoveu obras junto à sua casa de Lavadorinhos (Olival).
1945.06.20 – Teve lugar, no Posto de Turismo de Braga, uma exposição de desenho, aguarelas e escultura da autoria de Zeferino Couto.
1946 – Pertencendo à Comissão de Estética da Câmara Municipal de Braga deu o seu parecer negativo, juntamente com Alberto Feio, a um projeto da autoria de José Hermógenes Barbosa Silva, para a construção de um pavilhão de WC na Avenida Central de Braga.
1947 – Promoveu obras na sua residência em Olival (fachada principal e lateral)
1953 – Executou o busto de António Peixoto (Pachancho), em Braga
1955 – Executou o monumento de homenagem aos irmãos Roby, em Braga.
1956 – Executou o busto de Manuel Vieira Gomes, em Real (Braga)
1956 – Executou a escultura de Nª Sª da Conceição, no cruzeiro dos Centenários de Caldelas (alto-relevo em bronze)
1960.06.13 – Atingiu o limite de idade e passou à aposentação como professor efetivo da Escola Industrial e Comercial de Braga.
1960.09.29 – Participou, juntamente com um vasto conjunto de intelectuais e artistas, na homenagem ao escritor minhoto Manuel de Boaventura, em Barcelos.
1963 – Faleceu a sua esposa D. Maria Lopes Nobre do Couto que jaz sepultada no cemitério de Olival.
1966.07.03 – Faleceu o seu filho Norberto Nobre do Couto, sepultado no cemitério de Olival.
1982.10.[--] – Faleceu em Fão (Esposende) sendo sepultado no cemitério de Olival (Vila Nova de Gaia)
1994 – Faleceu o seu filho Zeferino Nobre do Couto.



BIBLIOGRAFIA:

. Almanaque Anuário de Braga para 1924 (coord. A. Vieira e F. Vilaça)
. Diário do Governo, II Série, nº 257 de 04.11.1929
. Diário do Minho – vários nºs dos anos de 1923, 1925, 1929, 1935, 1941, 1942, 1945, 1946, 1954, 1960.
. MARTINS, Rita Maria Machado – João de Moura Coutinho de Almeida d’Eça (1872-1954) – Arquitetura e Urbanismo (Tese de mestrado em História de Arte Portuguesa), Porto, Faculdade de Letras, Setembro de 2010.  
. OSÓRIO, Rui - Zeferino Couto, in O Gaiense, Ano V, nº 104, de 1 de Julho de 1965 pp. 1 e 3
. PEDROSA, David – Zeferino Couto, in Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia, vol. I, fasc. 6, pp. 21-23.
.Salão dos Humoristas (maio-junho-1915) – Catálogo contendo o nome dos expositores títulos e preços dos trabalhos expostos, Jardim Passos Manuel [1915].
. Uma fotografia histórica, in Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia, vol. II, fasc.15, p. 3.

Fontes:

. Arquivo Distrital do Porto
.Registos Paroquiais/Porto/Vila Nova de Gaia/Olival – registos paroquiais de batismo – ano de 1890.
. Arquivo da Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto
. Procº do aluno Zeferino dos Santos Couto
. Livro 18 – Aula de Escultura, fl. 161v; fl. 168v, nº 11
. Livro 167 – Aula de Escultura Histórica – Voluntários, f. 25v, f. 38, fl. 43, nº 10
. Arquivo Municipal Sophia de Mello Breyner
Processos de obras particulares requeridos por Zeferino dos Santos Couto
. Universidade do Minho - Arquivo Distrital de Braga
. Processo de passaporte de Zeferino dos Santos Couto – 1947 – AC/GCBRG – Procº  38640 - PT/UM-ADB/AC/GCBRG/H-D/099/44783 – cota A – 43032 -  ano de 1965
. PT/UM-ADB/AC/GCBRG/H-D/099/44785
Cota atual A – 43034 ano de 1965
. Processo de passaporte de Norberto Couto Nobre – 1949 – AC/GCBRG – Procº 39263
. PT/UM-ADB/AC/GCBRG/H-D/099/40565 – Processo de passaporte de Zeferino Nobre do Couto

Webgrafia:






Agradecimentos:

. ASPA – Associação para a Defesa, Estudo e Divulgação do Património Cultural e Natural - Braga
. Monsenhor Rui Osório
. Sr. Hernâni (CMG/Olival)
. Doutor Eduardo Pires de Oliveira
. Dra. Hortense Lopes dos Santos / Escola Secundária Alberto Sampaio (Braga)


Texto de António Conde

Sala de Fundo Local e Regional Armando de Matos, Maio de 2016


EXPOSIÇÃO DE HOMENAGEM AO ESCULTOR GAIENSE ZEFERINO COUTO (1890-1982) – 125º ANIVERSÁRIO DO NASCIMENTO

D. Gualdim Pais (Amares)

Manuel Vieira Gomes (busto, Braga)

Irmãos Roby (Braga)

Monumento aos Mortos da Grande Guerra (Fafe)

Vacaria do Mosteiro de Grijó (Vila Nova de Gaia)

Teatro Circo (Braga)


Evocação da vida e obra do Escultor Zeferino dos Santos Couto

Com a presente exposição de homenagem a Biblioteca Municipal de Gaia, através da Sala de Fundo Local, cumpre mais uma iniciativa de resgate da memória histórica de personalidades gaienses que a “poeira dos tempos” foi tornando figuras ignotas ou cujo contributo para o progresso da humanidade (a nível local, nacional ou internacional) nunca foi devidamente reconhecido.
Na vertente artística já aqui homenageámos os escultores António de Azevedo e Henrique Moreira que foram condiscípulos de Zeferino Couto e finalistas do curso de Escultura da Academia Portuense, juntamente com Diogo de Macedo e Fernandes Caldas, no ano de 1911. David Pedrosa apelidou de “cinco magníficos” este naipe de discípulos de Teixeira Lopes, membros da chamada “Escola de Gaia” e profícuos criadores de notáveis obras de escultura espalhadas por todo o País.

Zeferino dos Santos Couto, nascido no lugar de Lavadorinhos (freguesia de Olival) em 13.06.1890 é o menos conhecido artista da sua geração. Homem discreto, depois de cursar Desenho Histórico e Escultura, em que se formou, matriculou-se em Arquitetura, na Academia Portuense de Belas Artes, curso que não concluiu. Ao contrário de alguns dos seus condiscípulos não fez estudos em Paris, nem trabalhou no ateliê do mestre Teixeira Lopes ou outro, antes seguiu um caminho autónomo. Em 1965, em entrevista dada ao jornalista Rui Osório, definiu-se como um artista seguidor das linhas classizantes, nos seguintes termos: “Não sigo Escola nenhuma. Exprimo-me ao gosto clássico. Visitei Roma recentemente e lá senti-me como em casa”.
Após uma primeira (e única) participação com trabalhos seus na exposição dos modernistas, no Jardim Passos Manuel, em 1915, Zeferino Couto (que já trabalhava em escultura artística e religiosa) radicou-se em Braga, onde trabalhou no ateliê do arquitecto João de Moura Coutinho e designadamente nas obras do Teatro Circo da capital minhota.
Em 1921, já casado, seguiu a carreira do ensino como professor de desenho na Escola Industrial Bartolomeu dos Mártires, em Braga, onde leccionou durante cerca de quatro décadas.
Depois da aposentação e já viúvo, no início da década de 60, regressou à sua casa de Lavadorinhos (em Olival, Gaia) onde viveu uma longa e repousante velhice. Não se lhe conhece obra deste período.
Faleceu no final do mês de Outubro de 1982, aos 92 anos de idade, sendo sepultado no cemitério de Olival.

Foi em Braga e imediações (Amares, Vieira do Minho e Fafe) que Zeferino Couto assinou a quase totalidade da sua modesta coleção de obras artísticas, repartida entre a encomenda pública (civil e religiosa) e a encomenda particular, constituída por pequenas estátuas, máscaras, bustos, baixos-relevos e fontes decorativas, em granito ou bronze. Ao todo não existirão mais de três dezenas de trabalhos da sua autoria o que denota a modicidade da sua produção artística. Ainda assim cremos que existirão mais obras em coleções particulares, cujo paradeiro é incerto, ou cujos atuais proprietários desconhecem a sua autoria.

O nosso trabalho de pesquisa acusou, à partida, algumas dificuldades assentes em razões várias:
. A bibliografia existente resume-se a pouco mais que dois pequenos estudos, um de 1965 e outro de 1979, da autoria de Rui Osório e de David Pedrosa, respetivamente, que dão a conhecer parte da obra do escultor ao tempo em que ainda era vivo.
. Não encontrámos nada publicado sobre as últimas décadas de vida, onde foram passadas e onde faleceu.
. Não foi possível localizar familiares que, eventualmente, possuam alguma obra, bem assim informações, documentação e fotografias do escultor.
. Em Braga, cidade onde passou quatro décadas da sua vida e deixou a quase totalidade da sua obra, não existe nada publicado a respeito da sua vida e obra. Provavelmente só a consulta da imprensa local e do arquivo do município, onde pertenceu à Comissão Municipal de Estética, poderá acrescentar alguns dados novos à sua biografia.
. Algumas entidades contactadas, onde pretensamente existe obra da sua autoria, não foram muito colaborantes.

Contudo, ao longo do processo, tivemos o privilégio de aceder a informações várias que foram extremamente preciosas para conhecer algo mais sobre a sua obra, em Braga, e sobre a fase final da sua vida, em Olival, através do relato de quem o acompanhou diariamente nos últimos anos de vida. A uns e outros, no devido lugar, apresentamos os nossos agradecimentos.
Estamos convictos que o trabalho que ora se apresenta resulta numa mais-valia para o conhecimento da vida e obra do escultor Zeferino Couto aqui evocado na passagem do 125º aniversário do seu nascimento.

Agradecimentos
. Doutor Eduardo Pires de Oliveira (Braga)
. ASPA – Associação para a Defesa, Estudo e Divulgação do Património Cultural e Natural - Braga
. Monsenhor Rui Osório (Foz do Douro, Porto)
. Sr. Nelson Carvalho (Olival)
. D. Helena Castro (Olival)
. Escola Secundária Alberto Sampaio (Braga)

Nota: A Exposição decorreu na BPMVNG de 9 de outubro a 30 de novembro de 2015

Texto de António Conde

Sala de Fundo Local e Regional Armando de Matos, Maio 2016