segunda-feira, 22 de abril de 2013

Questões de Toponímia gaiense II – Rua Cândido dos Reis: a rua e o patrono

Almirante Cândido dos Reis

Trecho da Rua Cândido dos Reis (Foto de António Conde, 2011)

Edifício da Junta de Freguesia de Santa Marinha

(foto de António Conde, 2012)



Placa comemorativa – antigos Paços do Concelho de Vila Nova de Gaia
(foto de António Conde, 2011)

 Data: 1910


Sinopse:
A Rua Cândido dos Reis, conhecida em tempos remotos por Calçada de Vila Nova tem como limite norte a Avenida Diogo Leite e como limite sul a Rua do Conselheiro Veloso da Cruz, na freguesia de Santa Marinha, fazendo a ligação entre a cota baixa e a cota alta da cidade, numa extensão de 1015 metros. A atual designação toponímica remonta ao período subsequente à proclamação da República (Outubro de 1910), embora quer antes, quer depois dessa data seja popularmente conhecida por Rua Direita.


A RUA DIREITA


Dos tempos medievais às primeiras décadas do séc. XX


As origens deste arruamento remontarão aos tempos medievos e à fundação do chamado Burgum vetus, designado no foral de 1288 por Vila Nova de Rei e no final do séc. XIII por Vila Nova. A Rua Direita mais não é que o prolongamento natural, na margem sul, da portuense rua de S. João, e até à construção da Rua General Torres foi o acesso natural ao sul do País. Ao longo da Idade Média tornou-se assim o arruamento de maior importância do pequeno concelho de Vila Nova, ou Vila Nova de Par de Gaia, que foi anexado à cidade do Porto a 13 de Maio de 1384.


O surto de desenvolvimento prolongou-se pelos tempos modernos e contemporâneos num crescendo que alcançou as primeiras décadas do séc. XX: Este foi interrompido com a criação de uma nova centralidade, na freguesia de Mafamude, cujo motor foi a construção dos atuais Paços do Concelho e a construção da nova avenida que após o corte e desbaste da enorme pedreira do chamado Morro da Serra do Pilar se constituiu como estrada alternativa para o sul a partir do tabuleiro superior da Ponte D. Luís I.


A vida económica do concelho de Vila Nova, desde os tempos medievais, gravitou à volta das atividades portuárias, da construção naval, do comércio de vinho, azeite, etc. e teve enorme incremento nos séculos XVIII e XIX com a fixação dos principais armazéns de vinho do Porto na margem sul o que fez desenvolver indústrias associadas, nomeadamente a tanoaria, a serralharia e a caixotaria.


Na Rua Direita situavam-se algumas dessas indústrias e várias atividades comerciais e de serviços. A partir de 1834, com a restauração da autonomia municipal gaiense, aí passou a funcionar a respetiva Câmara Municipal cuja primeira reunião teve lugar em 20 de Junho de 1834.


No final da do séc. XIX, de acordo com o “Almanaque do Porto e seu distrito para o ano de 1895”, situavam-se na Rua Direita, a Câmara Municipal, a Repartição da Fazenda, a Recebedoria, a Administração do Concelho (no nº 83), o Corpo de Bombeiros (no nº 85); aí residiam boa parte dos funcionários administrativos e figuras de elite. Na mesma rua funcionava também a aula do curso noturno municipal (no nº 255), a aula de Desenho e Modelação Passos Manuel (na casa da Junta de Paróquia), o farmacêutico do partido municipal (no nº 55), a estação telefónica (no nº 117) e os tabeliães Júlio de Quadros Corte Real (no nº 314) e Miguel Joaquim da Silva Leal (no nº 172).


Aí se encontravam sedeadas as associações mutualistas Montepio Progresso, Vila-novense (no nº 32), Associação Humanitária de Socorros Vila-novense (no nº 32) e a Associação Vila-novense Fé, Esperança (no nº 32). A nível de serviços havia agentes mandatários, provadores e corretores de vinhos, despachantes, atividades ligadas à carga e descarga de barcos, advogados e dois vice-cônsules (Brasil e Haiti). A nível das várias profissões e pequenas indústrias estavam representados alquiladores, escultores, cerieiros, talhantes, tamanqueiros, alfaiates, caleiros, droguistas, ferreiros, latoeiros, tintureiros, funileiros, marceneiros, sapateiros, padarias, barbeiros, relojoeiros, armadores, mestres pedreiros, tanoeiros, fabricantes de sacos de papel, de pregaria para o Brasil, serralharia e fogões, etc.


Com toda esta intensa atividade comercial depressa as autoridades municipais constataram que a Rua Direita ou Calçada de Vila Nova, como é tratada na Carta Topográfica das Linhas do Porto (Coronel Moreira, 1834), se tornava estreita e daí a preocupação de sucessivas intervenções tendentes ao seu alargamento. Numa delas não foi mesmo poupada a capela de S. Roque que se situava junto à atual fonte que ostenta as armas reais. Longe ia o tempo em que a parte urbana da rua não passava do cruzamento da atual Rua de Camões (limite da Cerca do mosteiro da Serra do Pilar) e em que o sítio das Palhacinhas, onde hoje se situa a Junta de Freguesia de Santa Marinha (construído em 1885), não passava de um lugar meio ermo que era meeiro entre Santa Marinha e Mafamude. Isto a julgar pelo que perpassa da consulta dos registos paroquiais de Setecentos.


Em meados de Oitocentos foi projetada a construção de uma nova estrada, no seguimento da Ponte D. Maria II, ou Ponte Pênsil, e que corresponde à atual Rua de General Torres. A construção foi encetada pelo Reino, a pedido do administrador da Ponte, e não agradou às entidades municipais e à população da Rua Direita. Como é referido na Descrição Topográfica de Vila Nova de Gaia, a Câmara “como conhecesse que a nova estrada vinha desviar do centro da Vila, isto é da rua Direita a concorrência do povo, e isto prejudicava de futuro os seus habitantes, porque lhes diminuiria o comércio, e conseguintemente o valor das propriedades, expôs ao Governo – que nem era útil, nem necessária a dita estrada; porque se estava alargando já a Rua Direita, a qual dava depois passagem fácil e cómoda a todo o povo, e transportes”.


A perda de importância da Rua Direita


A construção da estrada real, na desembocadura da Ponte Pênsil, entre o sítio do Penedo e o Largo da Bandeira, não veio, de sobremaneira, trazer a concorrência que as autoridades e os empresários tanto temiam. Pelo contrário, com o incremento dos transportes, particularmente a partir da chegada do primeiro comboio a Vila Nova de Gaia, em 1864, e a inauguração da Ponte de D. Luís I, em 1886, cujo tabuleiro inferior dava diretamente para a atual Rua General Torres, a estrada real tornou-se complementar e crucial no escoamento do trânsito.


Entretanto os constantes alargamentos da rua Direita, apesar de trazerem melhorias significativas, nunca resolveram por completo o problema, até por causa do acentuado declive da rua e nunca deixaram de ser um constrangimento ao desenvolvimento das atividades económicas. O crescimento da Vila para a cota alta motivado pela nova acessibilidade do caminho-de-ferro e o crescimento urbano da freguesia de Mafamude, sobretudo ao longo da estrada real, fizeram decrescer a importância da zona ribeirinha.


Entre as sucessivas vereações, nos finais do século XIX, amadurece a ideia de que as instalações que serviam de Paços de Concelho eram acanhadas e devia ser equacionada a construção de um edifício de raiz num espaço amplo e sem constrangimentos. A escolha recaiu no sítio do atual gaveto Rua Álvares Cabral/Avenida da República e os trabalhos, adjudicados em 1915, por força da Primeira Grande Guerra e da depressão financeira subsequente, duraram mais de um década a concluir. Refira-se que a primeira sessão municipal nos novos Paços do Concelho teve lugar no dia 29 de Janeiro de 1925 mas o salão nobre só foi inaugurado em 1 de Dezembro de 1930.


A Rua Cândido dos Reis na atualidade


A rua Direita perdeu assim a sua preponderância pela criação da nova centralidade, a qual, desde 1905, passou a ter transportes públicos diretos com a cidade do Porto, através das designadas linhas 13 e 14. As elites gaienses passam a construir as suas casas e paletes na nova avenida e o próprio comércio mais especializado fechou as suas lojas na rua Direita e inaugurou novas casas na orla da nova centralidade. A criação do Entreposto de Vila Nova de Gaia ao garantir a exclusividade de preparação e armazenamento de vinho do Porto na sua área, proibindo a produção de vinhos comuns e licores, levou à deslocalização de muitas dessas empresas, para fora da área da freguesia e mesmo do concelho, e criou muitas restrições de encomendas aos industriais de tanoaria que foram obrigados a fechar. Acresce a ascensão do porto marítimo de Leixões, construído entre 1885 e 1894, o qual, paulatinamente, absorveu parte do movimento comercial dos portos do Douro.


Em 1954 foi extinta a Escola de Desenho Industrial Passos Manuel instalada, em 1 de Agosto de 1887, no edifício das Escolas Paroquiais de Santa Marinha e, desde Setembro de 1925 no antigo edifício dos Paços do Concelho (hoje Escola Primária da Praia). Tal deveu-se à criação da Escola Industrial e Comercial de Vila Nova e como tal houve uma retirada dos estudantes da Rua Direita.


Desapossada da sua função de centro político-administrativo, comercial e de serviços, a zona ribeirinha tornou-se estiolada e a Rua Direita converteu-se numa área de residência de famílias de baixos recursos e de pequeno comércio de proximidade, facto que levou à progressiva degradação dos prédios.


A publicação de diversos diplomas legais criando programas de recuperação de imóveis, nomeadamente o PRID (Programa de Recuperação de Imóveis Degradados) e RECRIA (Regime Especial de Comparticipação à Recriação de Imóveis Arrendados) não conseguiu estancar o processo de degradação dos imóveis da rua Direita e adjacências. Foi com a criação de um Gabinete Técnico Local na área do Centro Histórico que se ensaiaram as primeiras experiências de recuperação de imóveis. Tal medida inseriu-se numa campanha mais vasta, de âmbito nacional, de recuperação e revitalização de centros históricos em que o exemplo de maior sucesso, premiado pela UNESCO, é o de Guimarães.


Pelo Decreto Regulamentar nº 26/86, de 1 de Agosto, foi declarada área crítica de recuperação e reconversão urbanística a área do Castelo de Gaia bem como uma zona do centro histórico que compreende a quase totalidade da Rua Direita e alguns quarteirões contíguos. Em 1997, pelo Decreto Regulamentar nº 54/97 de 19 de Dezembro, essa área foi substancialmente alargada num aro que, junto ao rio Douro, toca os limites nascente e poente da freguesia de Santa Marinha.


A concretização do projeto de recuperação da zona ribeirinha de Gaia, onde se inclui a Rua Direita ou Cândido dos Reis, é obra da última década e deve as suas origens à revitalização do Cais de Gaia cujo projeto criou condições ímpares para a instalação de atividades de restauração e de lazer. O projeto do Cais de Gaia, contíguo às caves do vinho do Porto, conseguiu desenvolver o que era uma incipiente oferta turística de âmbito interno e externo; o aumento do fluxo turístico beneficiou, em muito, da classificação do Centro Histórico do Porto e da Serra do Pilar como Património da Humanidade. Inserido neste projeto temos que referir a construção de unidades hoteleiras de qualidade, na área do Centro Histórico e a construção do teleférico que faz a ligação do Cais ao Jardim do Morro.


Em 2006 foi assinado um acordo com a Parque Expo que elaborou um “estudo [que] visa reabilitar o Centro Histórico e definir soluções para a integração do centro na dinâmica da cidade, incidindo sobre uma área de 152 hectares, correspondentes ao Centro Histórico e respetivo território envolvente, que inclui o centro tradicional da cidade de Gaia, a frente ribeirinha e Cais de Gaia, o Convento Corpus Christi, as caves do Vinho do Porto e outros edifícios de relevo.”


A revitalização da área em apreço “pensada num horizonte temporal de 10 anos, propõe o desenvolvimento e consolidação urbana do território. Os objetivos são o aumento da população e dos postos de trabalho, a disponibilização de uma estrutura verde para uso público e de mais lugares de estacionamento, e a reabilitação do edificado.”


Na sequência da publicação do Dec. Lei nº 104/2004 de 7 de Maio, que dispôs sobre a reabilitação urbana e a criação de sociedades de reabilitação urbana, o município gaiense criou a “Cidade Gaia, SRU – Sociedade de Reabilitação Urbana” a quem foram acometidas competências no domínio da recuperação e revitalização do Centro Histórico. Essas competências, por força da fusão global do património da SRU na Gaiurb, em 03.02.2011, são hoje desta última empresa pública municipal.


A Rua Cândido dos Reis e a maioria das ruas do Centro Histórico foram objeto de recuperação urbanística por parte do município, o trânsito foi condicionado e limitado aos moradores; paralelamente vai-se assistindo à lenta recuperação dos imóveis, por parte dos particulares. Recentemente assistiu-se à recuperação da Fonte do Cabeçudo, um ícone da Rua Direita e à recuperação dos pavimentos em pequenas travessas e escadas criando percursos confortáveis que permitem a ligação pedonal por entre as ruelas e becos rodeados de armazéns onde o aroma do vinho paira no ar.


A secular Rua Direita está revitalizada e seguramente mais bonita, as suas joias, quais sejam as belas construções setecentistas e oitocentistas, com os bonitos conjuntos azulejares, com belas caixilharias e com as suas varandas em ferro forjado, apesar de algumas carecerem de recuperação, parecem agora ter mais encanto.


Marcas identitárias da Rua Cândido dos Reis


Fonte do Cabeçudo – a atual fonte situa-se numa esquina da Rua Direita e foi construída, no reinado de D. Maria I, por Francisco de Almada e Mendonça, em 1797. Substituiu outra fonte com origem medieval, referenciada na documentação como marco divisório do limite sul do concelho de Vila Nova. O nome deve-se a uma estátua, popularmente conhecida por Cabeçudo, que representa o deus Oceano. Foi retirada do local em 1909 e encontra-se no claustro do mosteiro da Serra do Pilar. A fonte foi recentemente objeto de recuperação. Existe uma aguarela do pintor Gouveia Portuense, de 1938, tendo como tema esta fonte.


Escola da Praia – funciona no edifício que serviu de Paços do Concelho de 1834 a 1925. No local encontra-se uma lápide evocativa dos 150 anos do Município de Vila Nova de Gaia. No mesmo local funcionaram também a Companhia de Bombeiros, a Administração do Concelho e repartições anexas.


Capela de S. Roque – existiu perto do sítio onde se encontra a fonte de S. Roque. Foi demolida para alargamento da rua.


Fonte de S. Roque – existe a meio da rua integrada numa casa de habitação e ostenta as armas reais.


Edifício da Junta de Freguesia de Santa Marinha – é um edifício de bela fachada, construído em 1885 no lugar das Palhacinhas e albergou as escolas paroquiais e a Escola de Desenho Passos Manuel. No frontão ostenta um relógio e é encimado por um sino.


Farmácia do Belchior – O edifício situa-se no ângulo da Rua Direita com a Rua Guilherme Gomes Fernandes e atualmente serve de sede provisória ao Clube Recreativo do Torrão. Belchior Fernandes, farmacêutico de profissão, foi um conhecido aeronauta que desapareceu a bordo do balão “Lusitano” que caiu no mar pouco depois de subida e misteriosamente nunca foi encontrado. Levava a bordo os aeronautas José António de Almeida e César Marques dos Santos, conhecido por “Menino de Oiro”.


As cheias do Rio Douro: marcas das cheias de 1909 – Nas várias cheias do rio Douro muitas vezes a rua Direita foi atingida pela subida das águas. Não falta documentação fotográfica e relatos que atestam este facto. No edifício da Sandeman, existente no Largo de Miguel Bombarda encontram-se as marcas das mais significativas cheias do rio Douro (1909, 1962, 1825, 1966, 1853, 1989 e 1978, pela ordem decrescente). No início da Rua Cândido dos Reis, no prédio com os números de polícia 2 a 6, existe uma inscrição com as marcas da cheia de 1909, a qual, neste ponto atingiu cerca de 3 metros de altura.


Rio Martinho – Trata-se de uma pequena ribeira que nasce nas imediações da Rua João de Deus e que corre no vale situado entre a rua Direita e a Rua General Torres. Atravessa a rua Direita e desagua no rio Douro junto ao cais de Gaia.


Imagem do Senhor do Loureiro – num recanto, frente à almadeana fonte do Cabeçudo encontra-se num nicho esta imagem de grande devoção das gentes ribeirinhas.


A FIGURA DE CÂNDIDO DOS REIS


Carlos Cândido dos Reis, mais conhecido por Almirante Reis ou Cândido dos Reis, nasceu em Lisboa em 16 de Janeiro de 1852 e aí faleceu em 4 de Outubro de 1910. Fez a sua carreira na Marinha, durante 40 anos, tendo chegado ao posto de vice-almirante, à data da morte, e de almirante a título póstumo.


Desde cedo abraçou a causa republicana, embora com uma presença discreta até ao início do séc. XX. Filiou-se então no Partido Republicano tornando-se num dos mais destacados ativistas nas campanhas anti clericalistas e de propaganda contra a Monarquia e mentor de atos conspiratórios tendentes ao seu derrube. Esteve envolvido no golpe fracassado de 28 de Janeiro de 1908, que juntou republicanos e monárquicos progressistas dissidentes e visava, numa primeira fase, afastar João Franco do poder e a abdicação do rei D. Carlos. O fracasso deste golpe tornou-o num homem cada vez mais empenhado na sua causa o que o levou a reformar-se da Marinha, em 9 de Julho de 1909. Assim com o apoio da Maçonaria e da Carbonária assumiu o comando das operações militares que visavam a instauração da República, aprazadas para 20 ou 21 de Agosto de 1910 e entretanto adiadas por denúncia às autoridades monárquicas. Entretanto o republicanismo ganhou novo fôlego com o triunfo nas eleições de 28 de Agosto de 1910 em que conseguiram eleger 10 deputados no círculo de Lisboa, sendo Cândido dos Reis um deles. Depois de novo adiamento para 25 de Setembro a revolução, chefiada por Cândido dos Reis, ficou aprazada para a noite de 4 de Outubro. O plano previa a sublevação dos navios de guerra ancorados no Tejo que, sob o comando dos republicanos com Cândido dos Reis à frente, utilizaria a artilharia contra as posições governamentais, e faria desembarcar as tropas navais que, por sua vez, seriam auxiliadas pelas forças militares em terra e civis sublevados recrutados pela Carbonária. Embora Cândido dos Reis tivesse comparecido à chamada, na hora e local aprazados, os rumores entretanto postos a circular, de que o governo estava a par das movimentações e estaria a massacrar populações e que o apoio terrestre tinha hipóteses de falhar, quebraram o ânimo do ilustre vice-almirante. Confrontado com a hipótese de um novo fracasso, Cândido dos Reis, deu ordem para dispersar e encaminhou-se para casa de uma irmã, na Rua de D. Estefânia, onde não conseguiu chegar por ter posto termo à vida. À parte o seu particular comportamento eufórico-depressivo, o militar e revolucionário Cândido dos Reis não terá resistido à ideia de um desfecho menos feliz para a revolução que, por demérito das forças monárquicas, acabaria por sair vitoriosa no dia seguinte. Cândido dos Reis passou, desde logo, a ser considerado um mártir e um herói da revolução triunfante que implantou o regime republicano em Portugal.


Na capital, a designação de Almirante Reis foi dada a uma das principais avenidas e o mesmo aconteceu, um pouco por todo o País, aí sob a designação de Cândido dos Reis.


Remissivas: Toponímia gaiense/Santa Marinha/Cândido dos Reis/ Primeira República em Gaia/Centro Histórico/Programas de Revitalização do Centro Histórico


Bibliografia:


. Almanaque do Porto e seu Distrito para 1895, J. J. Vieira da Silva, Porto, 1895*
. Área crítica de Recuperação e Reconversão Urbanística de Vila Nova de Gaia, Estudo de Enquadramento Estratégico, Anexo I, Lisboa, Parque Expo, 2006.
. AZEVEDO, João António Monteiro - Descrição topográfica de Vila Nova de Gaia e da soleníssima festividade, que em ação de graças pela gloriosa restauração de Portugal se celebrou na Igreja Matriz em 11 de Dezembro de 1808 / por João António Monteiro d'Azevedo, acrescentada... por Manuel Rodrigues dos Santos. - Porto : Tipografia Comercial, 1861. *
. BARRA, Alípio Rodrigues de Oliveira - Da Escola de Desenho Passos Manuel à Escola Secundária n.º 1, Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia. - Vol. 2, n.º 17 (Dez., 1984), p. 46-51. *
. Breves apontamentos estatísticos dos Serviços Municipais no ano de 1909, /Câmara Municipal do Concelho de Vila Nova de Gaia, Gaia, Tip. de Francisco Martins Barbosa, 1910.*
. Carta topográfica das linhas do Porto levantada e publicada pelo Coronel Moreira, 1834.
. DINIS, José - O octogésimo aniversário do Clube de Vila Nova de Gaia, O Tripeiro, Ano XIII, série V, n.º 2 (Jun., 1957), p. 55-57 *
. Estudo de Acessibilidades para a Área Crítica de Reconversão Urbanística do Centro Histórico de Vila Nova de Gaia, Parque Expo, 2006. (visualizado em www.gaiurb.pt, em 2013.04.10).
. FERREIRA; Eduarda Lago – Apontamentos sobre o lazer e o património urbano edificado no centro histórico de Vila Nova de Gaia, Revista da Faculdade de Letras, Geografia, I série, Vol. XV/XVI, Porto, 1999-2000, pp. 117-129.
. LEÃO, Manuel - Fontes antigas de Santa Marinha, Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia. - Vol. 5, n.º 35 (Jun., 1993), pp. 10-14.*
. Mea Vila de Gaia: guia ilustrado do concelho de Gaia, 2ª ed.. - Vila Nova de Gaia : Associação Cultural Amigos de Gaia, 1987. *


Webgrafia:


. www.dre.pt – vários diplomas.
. www.gaiurb.pt – vários estudos.
*integram o acervo bibliográfico da BPMVNG.


Sala de Fundo Local, Abril de 2013