quarta-feira, 30 de maio de 2012

Fundição de bronze: um património artístico gaiense (V) – Fundições artísticas na atualidade: a fundição Araújo & Guedes


Antigas instalações da Fundição de Arte Araújo & Guedes
Rua Conselheiro Veloso da Cruz (
foto de António Conde)


Escultura da Princesa Santa Joana em Aveiro:
um trabalho da Fundição Araújo & Guedes (2002)

Escultura de Pedro Teixeira em Cantanhede: 
um trabalho da fundição Araújo & Guedes (1993)

Réplicas em bronze das tesserae hospitales do Monte Murado
(Pedroso) executas na fundição Araújo & Guedes (1983)

Local: Santa Marinha/Gulpilhares

Data: sécs. XX/XXI

Sinopse: A fundição de arte Araújo & Guedes Ldª sedeada junto à Casa Museu Teixeira Lopes, na Rua Conselheiro Veloso da Cruz, é uma oficina de fundição com raízes que passaram já o centenário e herdeira do saber e da experiência da antiga Fundição Sá Lemos, da Empresa Artística Teixeira Lopes, da oficina Guedes & Ribeiro Ldª e da Fundição de Arte José de Castro Guedes & Cª Ldª. Tem oficinas na Rua Norton de Matos, na zona industrial de Gulpilhares.

Fundação
A empresa foi criada em 1937, sob a denominação social de Fundição de Arte Guedes & Ribeiro. José de Castro Guedes e António Maria Ribeiro, antigos trabalhadores da Fundição Sá Lemos, associaram-se para a sua fundação tendo este último assumido o cargo de diretor artístico. Refira-se que António Maria Ribeiro foi galardoado pelo governo português com a Ordem de S. Tiago da Espada.
Num catálogo, do final dos anos 30, a empresa assume-se herdeira da “Antiga Fundição Sá Lemos” e da “Antiga Fundição da Empresa Teixeira Lopes” e inclui no seu currículo as grandes obras fundidas desde o monumento a Soares dos Reis em 1904. De igual modo orgulha-se de “A sua direção proficiente dirigida por um artista consagrado tendo a coadjuvá-lo os melhores artistas das variadas modalidades desde o escultor até ao artífice que monta a obra nos seus detalhes, são a garantia das suas produções de arte”.
Em 1941 o sócio António Maria Ribeiro cedeu a sua posição na empresa à esposa e filho de José de Castro Guedes, este de nome Vicente Oliveira Guedes. A antiga oficina Sá Lemos, sita na Avenida da República, então na posse da firma, foi trespassada a António Manuel Ribeiro ficando cada um dos sócios na sua oficina.
A família Castro Guedes ficará assim durante décadas na gerência da fundição a qual em 1979, por escritura de 28 de Agosto, foi vendida a um colaborador da empresa, de seu nome José da Silva Abreu. Este iniciou a sua atividade na fundição aos 9 anos de idade. Em 1970 emigrou para a Venezuela onde trabalhou no mesmo ramo. De volta a Portugal, em 1977, voltou à mesma fundição ainda sob gerência de Vicente Guedes, a quem acaba por suceder no comando da velha fundição Castro Guedes. Em 1981 José da Silva Abreu fez uma proposta de cedência à autarquia gaiense da sua oficina, com destino à criação de um centro de formação de novos artistas, com aulas ministradas pelo próprio. Porém tal acordo acaba por não se concretizar. Mais tarde a firma, devido à exiguidade do espaço, acabará por transferir as oficinas para a freguesia de Gulpilhares.
A empresa vive hoje uma situação periclitante, pendente de um processo judicial de insolvência que, esperemos, não culmine no fecho desta velha glória da arte de fundição gaiense.

Duas obras de referência recentes:
Escultura de conquistador da Amazónia, Pedro Teixeira (Cantanhede, 1993)
Trata-se de uma obra do escultor Celestino Alves André que representa Pedro Teixeira em postura heroica, de braço direito apontado ao infinito e segurando na mão esquerda uma bússola e uma carta geográfica. O herói (1585-1641), natural de Cantanhede, expulsou os franceses de S. Luís de Maranhão, no Brasil, e impediu o avanço dos holandeses e ingleses.
Escultura da Princesa Santa Joana (Aveiro, 2002)
Da autoria do escultor Hélder Bandarra a escultura representa Santa Joana de rosto levantado, segurando uma cruz com a mão esquerda e estendendo a mão direita em gesto de aclamação. Está assente sobre um pedestal em pedra e tem no frontal esculpido o brasão da princesa.
A princesa Santa Joana (1452-1490), que é padroeira da cidade de Aveiro, era filha de D. Afonso V, tendo ingressado na vida religiosa em 1471 e professou no Mosteiro de Jesus em Aveiro, desde 1475 até à sua morte. Tendo recebido o senhorio de Aveiro com as suas rendas e direitos reais foi uma benemérita daquele mosteiro e daquela cidade. Em 1693 foi beatificada pelo Papa Inocêncio XII. Em 1965 o município aveirense declarou o dia da sua morte como feriado municipal e considerou-a padroeira da cidade.

Remissivas: A arte em Vila Nova de Gaia/Fundições de arte/Firma José de Castro Guedes.

Bibliografia:
. Diário da República, II Série, nº  43, de 2 de Março de 2011, p. 10479.
. Fundição de Arte Guedes & Ribeiro Ldª, Vila Nova de Gaia [1940?].
. Gaya II, Revista do Gabinete de História e Arqueologia de Vila Nova de Gaia, 1984.
.  PEDROSA, David; A arte de fundir em bronze: glória de Vila Nova de Gaia que tende a desaparecer, In: Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia. - Vol. 1, n.º 10 (Maio, 1981), pp. 24-29.

Webgrafia:
.  http://www.culturacentro.pt/museuit.asp?id=176# [visualizado em 2012.05.19].
   =138s471s478s1439s1575&id_class=1575, 2008-09-09 [Visualizado em 2012.05.19].

Sala de Fundo Local, Maio 2012

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Gaia: imagens com história (IX): O mosteiro da Serra do Pilar e as suas imediações


Escarpa da Serra do Pilar e respetivo mosteiro



Mosteiro e escarpa da Serra do Pilar adjacentes à ponte D. Luís I (foto de António Conde)

Data: 1ª metade do séc. XX (década de 30)

Descrição: A imagem apresenta, em lugar altaneiro, o mosteiro da Serra do Pilar e respetivas igrejas e a zona de escarpa sobranceira ao rio Douro. Em primeiro plano é visível um conjunto de construções em terraços sendo uma das linhas ocupada pela “Société des Portos d’Origine Moreira D’Almeida”, vulgo Porto Moreira. O conjunto localiza-se na Rua do Casino da Ponte, contíguo à Ponte D. Luís e é hoje ocupado por uma empresa de mobiliário. A construção deste conjunto urbanístico em zona de escarpa ocorreu nos finais do séc. XIX quando a construção da Ponte D. Luís, à quota alta, permitiu a construção de acessos condignos. Aí funcionou, até finais da década de 20 do século XX, o denominado Casino da Ponte um misto de restaurante panorâmico, casa de espetáculos e de jogo clandestino.
Por datação crítica considerámos ser a fotografia dos anos 30 já que corresponde ao fecho do casino (no final dos anos 20) e à compra do conjunto por parte da firma Barros & Almeida, ligado à produção de vinho do Porto, a qual, em 1939, procedeu a obras que lhe deram, grosso modo, a configuração atual.

Bibliografia:
. GUIMARÃES, Gonçalves; O Polo Industrial da Serra do Pilar. In http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/5292.pdf.
. SERÉN, Maria do Carmo; Douro – do Tua à Foz com a Fotografia Beleza, Porto, Lello Editores, 2002.

Remissivas: Mosteiro da Serra do Pilar/ Escarpa da Serra do Pilar/Casino da Ponte

Sala de Fundo Local, Abril de 2012