terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Honório Tavares da Costa – um comerciante e industrial gaiense. (I) A criação do Parque de Santa Luzia


Anúncio da Casa Honório. (Arquivo de Imagens de António Conde)


Honório Costa na fase final da vida (3.ª imagem à direita) e Honório Costa no elenco da Junta de Freguesia de Mafamude. (1955) (Arquivo de Imagens de António Conde)


Casa Honório – Rua Pádua Correia (Arquivo de Imagens de António Conde)

Fachada da Casa Honório na actualidade.
(Arquivo de Imagens de António Conde)

Local: Mafamude
Data: séc. XX (1ª metade)
Sinopse: Trata-se de uma personalidade nascida em pleno séc. XIX, em terras de Cambra, e que no início do séc. XX se fixou em Mafamude. Começou o seu tirocínio como serralheiro e depois como comerciante no Largo dos Aviadores e na antiga Rua de Trancoso, hoje de Pádua Correia. Provavelmente muitos gaienses só o conhecerão pela sua ligação à toponímia mafamudense. Contudo o seu nome está ligado a uma multifacetada acção, não muito conhecida, em prol do desenvolvimento da freguesia de Mafamude, onde foi autarca. Foi o fundador da centenária casa Honório (ao Trancoso) e mais tarde, na posse de um vasto património imobiliário foi promotor imobiliário, abrindo arruamentos e construindo casas. Adquiriu diversos terrenos na zona de Paço de Rei, a sua “menina dos olhos” e aí fundou um frondoso parque de recreio - o Parque de Santa Luzia, publicitado nos jornais gaienses, na década de 40, como a “sala de visitas” de Vila Nova de Gaia. Por sua iniciativa e contributo foi construído o acesso da Avenida da República ao Parque de Santa Luzia, naquilo que corresponde ao actual troço inicial da actual estrada nº 222. Foi um mecenas do desporto, designadamente do hóquei de patins, tendo sido o fundador e primeiro director do Hóquei Clube de Paço de Rei.
Vida e obra:
Honório Tavares da Costa nasceu, em 10 de Maio de 1886, em Macieira de Cambra, terra onde frequentou a escola primária. No início do século XX estabeleceu-se em Vila Nova de Gaia trabalhando como serralheiro na Casa Triães, na Bandeira, onde fazia cofres que depois eram ornamentados pelo escultor Diogo de Macedo.
Posteriormente estabeleceu-se por conta própria, fundando a Casa Honório, em 1909. Situava-se no Largo da Bandeira, ou dos Aviadores, no lugar onde hoje se encontra o café “Mon Ami” e dedicava-se à venda de panelas de ferro, louças e artigos de caça munições e espingardas. Fazia também reparação de espingardas e pistolas, de âmbito civil ou militar. As encomendas seguiam em carros de bois para a estação das Devesas para ser despachadas para os seus clientes.
Em 1920 mudou as instalações para a então Rua de Trancoso, ao lado da sua residência, onde ainda hoje se encontra, mas dedicada ao ramo das loiças.
Casou depois com D. Luzia Dias da Silva, uma senhora já com alguma idade e descendente de uma família rica do lugar de Paço de Rei. Provavelmente foi um casamento combinado discretamente pois no dia da festa alguém pintou a tabuleta que designava a “Casa Honório” com alguns acrescentos que permitiam ler “Hoje Casa o Honório”. Corre a versão que tal foi feito, pela calada da noite, pelo escultor Sousa Caldas, que morava na zona da Bandeira.
Na década de 30 resolveu lotear alguns terrenos a abriu a rua e travessa que hoje tem o seu nome, onde construiu moradias. Posteriormente adquiriu um vasto conjunto de terrenos desde a Avenida da República a Paço de Rei, rasgou as Ruas de Casais de Cidra e Santa Luzia e fundou o Parque de Santa Luzia. Nesse frondoso parque que mandou construir um ringue de patinagem destinado, de seguida, ao Hóquei Clube de Paço de Rei, clube que ajudou a fundar e do qual foi director até à sua morte.
O Parque de Santa Luzia
Localizava-se na zona de Paço de Rei, junto à actual E. N. 222, no lugar onde ainda existe um restaurante com o mesmo nome. Nos anos 40, quando foi construído o parque, a zona de Paço de Rei era constituída, na sua maioria, por grandes quintas, entre as quais se destacava a do Silva de Paço de Rei (provavelmente familiares da esposa do nosso evocado) cuja memória está perpetuada nuns azulejos existentes na fonte localizada num plano inferior junto à Rua de José Rocha. Esta rua, de perfil estreito e sinuoso, era o antigo acesso para quem, de Mafamude, demandava a zona de Cravel e o Monte da Virgem. Daí que, quando Honório Costa resolveu aproveitar as belezas do local e construir, num pequeno cerro, o Parque que baptizou de Santa Luzia, em homenagem à sua primeira esposa, com a sua pequena capela altaneira de invocação a Santa Luzia, teve de arranjar um acesso e entrada condigna. Consegui-o com a disponibilização de terrenos de sua propriedade com os quais abriu as ruas de Casais de Cidra e de Santa Luzia (com acesso a Santo Ovídio) e através da abertura do que seria o início da actual E.N. 222, projecto que mereceu o melhor empenho do Engº Malafaia.
Nos jornais da época o Parque da Santa Luzia era anunciado como tendo “bons ares”  e o  “O Parque das Flores e o melhor recinto de diversões de Gaia”. Dispunha de um serviço de bar, também anunciado e localizava-se a “poucos minutos do fim da linha 13 e das camionetes de Oliveira do Douro, Vilar de Andorinho e Avintes”.
Honório Tavares da Costa partilhou uma longa relação de amizade com o Advogado Dr. Carlos Vale e o escultor Diogo de Macedo.
Faleceu em 4 de Fevereiro de 1969, sem descendentes, em Mafamude, jazendo no cemitério paroquial desta freguesia.

Remissivas: Gaienses ilustres/ Honório Tavares da Costa/Toponímia gaiense/Parque de Santa Luzia/Paço de Rei/Hóquei Clube de Paço de Rei.

Bibliografia:
. ESTEVÃO, Duarte; “Mon Ami” e “Aviadores”… Temas para recordar (2), Vila Nova de Gaia, edição de Armando Pinto Moita, 2001, pp. 28-29.
. “O Comércio de Gaia”, de 15.08.1946 e 19.09.1955.
. SILVA, Humberto Pinho da; Honório Costa: figuras inesquecíveis da nossa terra. In Jornal Notícias de Gaia / dir. Fernando de Sousa. - Ano XX, n.º 405 (9 Fev., 2006), p. 21.

Webgrafia:
.http://hcpacoderei.no.comunidades.net/index.php?pagina=1309649415.[Consultada em 21.12.2011]

Texto de António Conde

Sala de Fundo Local, Dezembro de 2011