quarta-feira, 27 de abril de 2011

O Centenário dos Bombeiros Voluntários dos Carvalhos











Primeira sede dos Bombeiros Voluntários dos Carvalhos
























Espaço museológico
































Data: 17.04.1911

Local: Carvalhos, Pedroso

Sinopse:


A Associação dos Bombeiros Voluntários dos Carvalhos, de aqui fazemos a evocação em ano de Centenário, foi fundada, sob os auspícios do novo regime republicano, no dia 17 de Abril de 1911. Esta associação centenária, mas rejuvenescida, é hoje uma corporação de referência no concelho de Vila Nova de Gaia e tem a sua sede na Rua Gonçalves de Castro, nº 101 – Carvalhos, freguesia de Pedroso. A sua divisa é “Ajuda no perigo” e o seu Boletim denomina-se “Auxílio no perigo”.

A povoação dos Carvalhos nos princípios do séc. XX
A povoação dos Carvalhos conheceu, nos finais do século XIX e inícios do século XX, um período de grande desenvolvimento económico, social e cultural, destacando-se entre as demais povoações da terra gaiense. Assim, em 1889, tornou-se na primeira povoação rural gaiense a assistir à criação de um jornal de referência, o “Jornal dos Carvalhos”, impresso em tipografia própria. Em 1890 foi fundada a associação de “Socorros Mútuos Carvalhense”, com fins assistenciais e beneficentes, a qual alargava os seus benefícios às freguesias vizinhas. Em 1896 foi fundada uma cooperativa para fornecimento de géneros aos associados. Em 1901 foi criada uma associação de socorros fúnebres tal era a quantidade de habitantes de Pedroso que já pertenciam a uma associação de fora da terra - a Restauradora Avintense. Em 1905 foi criado um grupo de teatro na Rua do Padrão, denominado “Teatro dos Carvalhos”. Em 1907 foi criada a Conferência de S. Vicente de Paula de Pedroso com fins assistenciais.
Em matéria de educação, a nível privado, foi fundado, em 1900, o Colégio Internato dos Carvalhos, estabelecimento desde cedo reputado de qualidade e frequentado por alunos de variadas proveniências; presentemente é um dos colégios de referência na área do Grande Porto. Havia ainda um seminário diocesano conhecido por Seminário dos Carvalhos, inaugurado em 16 de Dezembro de 1884, no edifício onde mais tarde funcionou o Lar Juvenil dos Carvalhos. Refira-se que este estabelecimento foi fechado no período que se seguiu à implantação da República, ao abrigo da lei de separação do Estado e da Igreja e reabriu, alguns anos mais tarde, como casa de correcção de menores denominada Colónia Agrícola Ferreira Lapa.
Acresce, a estes factos, a privilegiada situação geográfica do lugar, no centro geográfico do concelho gaiense e na rota da principal estrada do País, e o facto de aí ser realizada uma feira plurissecular.

A criação do corpo dos Bombeiros Voluntários Carvalhenses
Foi neste ambiente de progresso que um grupo de homens de Pedroso (em que se destacaram Domingos Gonçalves de Castro, João da Costa Couto, Manuel Fernandes dos Santos Costa e Alberto Oliveira da Costa), resolveu fundar a sua associação de bombeiros. A primeira sede situava-se na Rua do Padrão, numa casa pertencente a Maneca Juca Beleza. Possuía na ombreira da porta uma sineta destinada a dar o toque de incêndio. O material de trabalho foi disponibilizado pelo município gaiense e compunha-se de “um carro de mão com rodas altas e em cujo estrado estava um outro com umas bombas de pressão fixas, uma escada de ganchos, um rolo de mangueira e um tanque de lona que levava aproximadamente meia pipa de água. Tudo isto era transportado à mão”.
Foi primeiro comandante da corporação Alberto de Oliveira Ramalho. A corporação foi passando por instalações provisórias até que, no final dos anos 20, se mudou para as instalações da antiga Alquilaria do Espanhol, onde, em 1931, inaugurou o primeiro ponto socorro, um pequeno bar, o primeiro telefone e uma camarata para os bombeiros de piquete.
Ao longo da sua já longa história a Corporação conheceu alguns momentos de crise, permeados, em boa hora, por momentos de júbilo e progresso devidos quer pela acção de alguns beneméritos, quer de grandes dirigentes ou operacionais do seu corpo de bombeiros.
Em 1943 foi criada por Joaquim Duarte de Oliveira a Tuna-Orquestra, a qual, em dez anos de existência, abrilhantou várias festas.
No final dos anos 50 foi projectado construir um novo quartel em terreno cedido pelo fundador Correia da Silva e esposa. A sua construção prolongou-se ao longo da década de 60, dado o grande esforço financeiro e a sua conclusão só foi possível graças aos subsídios do Estado e do município gaiense.
Em Junho de 1959 a Corporação teve a honra de receber visitantes ilustres – o então Presidente da República e esposa, o ministro das Obras Públicas, o Governador Civil do Porto e o presidente e vereação gaienses. Nessa data o almirante Américo Tomás foi agraciado pela Corporação com o diploma de sócio honorário e a entrega de um emblema em ouro.
Em 1971 foi fundada uma fanfarra, impulsionada por António Fernandes da Silva, tendo como regente Mário Fernando.
Depois conheceu a Corporação tempos conturbados, no período que se seguiu à revolução do 25 de Abril, aos quais se seguiram momentos de franco progresso. Na passagem das bodas de diamante, celebrada no ano de 1985, dispunha a Corporação de 11 viaturas que haviam servido nesse ano em 310 incêndios e 2.363 sinistros e um total de cerca de 220 mil Km percorridos.
No último quarto de século a Corporação ganhou estabilidade e apostou na formação dos seus quadros, na renovação da frota automóvel, na ampliação e modernização do seu quartel e instalações, de modo a melhor assistir, de forma altruísta, a população, fazendo jus à divisa “Ajuda no perigo”. O segredo do sucesso da centenária Corporação e da renovação e vitalidade sentida na instituição parece estar no grau de exigência da sua direcção e na boa coesão do binómio Direcção-Comando.
Os nossos parabéns, pois, à CENTENÁRIA CORPORAÇÃO DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DOS CARVALHOS!

Remissivas: Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Gaia/Instituições assistenciais gaienses/Pedroso (freguesia)

Bibliografia
. BELEZA, José Domingues da Rocha - Monografia de Pedroso [Texto manuscrito policopiado]. [S.l.: c. de 1930]. In Jornal dos Carvalhos, suplementos, 13 a 22, 15 de Agosto de 1991 a 15 de Maio de 1992.

. “Bombeiros Voluntários dos Carvalhos 80 anos de ‘Vida por Vida’. Achegas para a sua história” publicado no Jornal dos Carvalhos ano 1º nº 9, IV Série.
. PEDROSA, David - Bombeiros Voluntários dos Carvalhos – 75 anos ao serviço do próximo; in Boletim Cultural dos Amigos de Gaia, Vol. III, nº 21, Outubro de 1986, pp. 14-20.
.
http://www.bvcarvalhos.pt/ - [Consultado em 2011.04.05.]

Sala de Fundo Local, Abril de 2011