quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Maximiano Lemos – evocação no 150º aniversário do nascimento




Maximiano Lemos






Casa da Palmeira (já demolida) onde viveu Maximiano Lemos



Local: Casa das Palmeiras (Avenida da República), Mafamude Data: 1923 Sinopse: Maximiano Augusto de Oliveira Lemos Júnior, de seu nome, nasceu no Peso da Régua em 8 de Agosto de 1860 e faleceu em Vila Nova de Gaia em 1923. Viveu grande parte da sua vida nesta cidade, então vila, na chamada Casa das Palmeiras, situada junta à antiga agência da Caixa Geral de Depósitos, no lugar onde hoje se encontra a galeria comercial Palmeiras. Em 1875 matriculou-se na Academia Politécnica tendo ingressado, em 1876, na Escola Médico-Cirúrgica do Porto onde concluiu o curso de Medicina e Cirurgia, em 16 de Julho de 1881, com a dissertação “A Medicina em Portugal até aos fins do século XVIII (Tentativa histórica)”. Nos seus tempos de estudante criou diversas composições poéticas, publicadas em periódicos da época ou recitadas e distribuídas em saraus, como foi o caso do sarau realizado em Setembro de 1880, no antigo Teatro Baquet, a favor do Centro Artístico Portuense, agremiação criada pelo escultor Soares dos Reis e outros artistas de mérito. Em 1881 foi convidado para substituir o Dr. Azevedo Maia, no Posto Médico-Cirúrgico do Porto, na Rua das Oliveiras, lugar que ocupou durante dois anos. Em 1 de Março de 1883 foi nomeado cirurgião-ajudante do exército e colocado em Estremoz. Passou ainda pelo quartel de Caçadores nº 9, no Porto e já como cirurgião-mor, pelo regimento de Infantaria nº 24, em Pinhel. Todavia como cedo foi acometido de problemas de audição foi submetido a junta médica que o julgou inapto para o serviço militar e o colocou na reserva como tenente-coronel. Em 1889 passou a ocupar uma vaga de substituto da secção médica e em 1895 foi promovido a lente proprietário de Medicina Legal na Universidade do Porto onde regeu, até 1900, a cadeira de Patologia Geral, onde a história da medicina era leccionada. Em 1916 a cadeira de História da Medicina ganharia autonomia sendo a respectiva regência entregue a Maximiano Lemos. Entre 1918 e 1922 foi Director da Faculdade de Medicina do Porto e Vice-Reitor da Universidade do Porto. Foi ainda Sócio Efectivo e Presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Porto e sócio correspondente da Sociedade de Medicina e Cirurgia da Baía, da Academia das Ciências de Lisboa, da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa, da Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais, e da Sociedade Alemã de História da Medicina e das Ciências Naturais de Leipzig. No Porto foi presidente da Associação de Jornalistas e Homens de Letras, da Associação Médica Lusitana e mesário da Misericórdia, exercendo funções de direcção no Hospital de Santo António. A sua vivência em Vila Nova de Gaia Ainda na década de 80 do séc. XIX fixou-se em Vila Nova de Gaia, na já referida casa das Palmeiras, à Avenida da República, onde constituiu família. Abriu consultório, em 1885, no nº 274 da Rua de General Torres e em 1893 na Rua da Fervença, nº 64. Fez parte de diversas comissões promotoras do progresso da terra gaiense. Fez também parte da vereação gaiense nomeada pelo governo sidonista.

A carreira de investigador Como investigador especializou-se no estudo da História da Medicina em Portugal tendo publicado os seguintes títulos: “Anuário dos Progressos da Medicina em Portugal” (em 1884, em Estremoz); “Arquivos de História da Medicina Portuguesa (1886); “História da Medicina em Portugal – Doutrinas e Instituições” (1899); “Amato Lusitano – a sua vida e obra” (1909); “Ribeiro Sanches – a sua vida e obra” (1911); “História da Medicina Peninsular” 1916); “ Gomes Coelho e os médicos” (1922); “História do Ensino Médico no Porto”, obra que deixou incompleta e que foi acabada pelo Prof. Hernâni Monteiro e publicada em 1925. Dirigiu ainda a monumental obra da “Enciclopédia Portuguesa Ilustrada”, o primeiro dicionário editado em Portugal, comparável ao Larousse e cujo primeiro fascículo foi publicado em Abril de 1899. Foi ainda um dedicado investigador camiliano tendo publicado a obra “Camilo e os Médicos” onde traçou a biografia dos principais médicos da vida de Camilo. Na cidade da Régua, sua terra de nascimento, existe uma biblioteca em que Maximiano Lemos figura como patrono, a qual foi inaugurada em 3 de Dezembro de 1960 na Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários, por ocasião das comemorações do centenário do nascimento daquele insigne filho da terra. Maximiano Lemos faleceu em Vila Nova de Gaia em 6 de Outubro de 1923, após um resignado sofrimento devido à degenerescência maligna de uma placa de leucoplasia lingual que lhe retirou a fala. O município gaiense inscreveu o seu nome na toponímia gaiense na zona do Bairro das Pedras, da freguesia de Mafamude. Remissivas: Vereação gaiense no período republicano Gaienses ilustres História da Medicina Lemos Júnior, Maximiano Augusto de Oliveira. 1860-1923. Médico. Peso da Régua Bibliografia: http://escritosdodouro.blogspot.com/2009/11/biblioteca-de-maximiano-lemos.html. – [Consultado em 2011.01.03 ] http://museumaximianolemos.med.up.pt/index.php?src=page13.html. – [Consultado em 2011.01.03] PINHO, José Augusto; Dr. Maximiano Lemos : gaiense de adopção, In: Boletim da Associação Cultural Amigos de Gaia. - Vol. 4, nº 30 (Dez., 1990), pp. 25-27. SALES, Amadeu; Acerca de um notável posto médico portuense; In: O Tripeiro, nº 8, Dezembro 1956, V Série, Ano XII, pp. 230-234. Sala do Fundo Local, Janeiro de 2011.