terça-feira, 27 de abril de 2010

A festa de S. Gonçalo e S. Cristóvão em Gaia


Maioral da Comissão dos Mareantes, 
carregando a cabeça de S.Cristóvão

Mordomos da Comissão Nova da Rasa

Mordomos da Comissão Velha da Rasa

O encontro de S. Cristóvão e S. Gonçalo

Esta festa, que no calendário religioso se celebra a 10 de Janeiro, decorre, em Vila Nova de Gaia, no domingo seguinte àquele dia, numa perfeita simbiose entre o sagrado e o profano.
Cumprindo a tradição, mal rompe a manhã, os Mareantes do Rio Douro, de Santa Marinha, vestidos a rigor, assistem à missa na Capela da Senhora da Piedade da Areia. De seguida, ao rufo dos bombos, percorrem as ruas do Centro Histórico, acompanhados por dois maiorais trajados a rigor e de cabeleiras brancas postiças, que exibem a imagem de S. Gonçalo (protector dos homens do mar e das doenças dos ossos) e a cabeça de S. Cristóvão (protector dos barqueiros do rio) no que são acompanhados por um outro figurante, de bordão e cabaça, que representa S. Roque (protector da peste) e pela massa de populares que fervorosamente acompanham este séquito festejando e beijando as imagens dos santos protectores.
Paralelamente, nas ruas de Mafamude, os mordomos das Comissões Nova e Velha da Rasa, envergando uns casacas de veludo e cabeleiras postiças, e outros fraque e chapéu alto, respectivamente, percorrem as ruas de Mafamude em cortejo, a que junta a população em ambiente festivo. Os mordomos da Comissão Nova carregam a cabeça de S. Gonçalo com fitas coloridas, a imagem pequena de S. Cristóvão e fazem-se acompanhar de um figurante vestido de S. Roque.
Por sua vez na Comissão Velha da Rasa há três figurantes que carregam a cabeça de S. Gonçalo com fitas de cor diferente, a imagem pequena de S. Cristóvão e o último uma bengala e cabaça de romeiro.
O encontro entre os vários grupos dá-se ao final da tarde no adro da igreja de Mafamude.
A entrada na igreja tem de obedecer ao ritual de entrada com a cabeça do santo voltado para a porta, após o que são feitas as orações no altar do santo. O povo rejubila de alegria cantando: “E ele é nosso! E é, é, é!”. No adro rufam os tambores, no ritual das três voltas à volta da igreja, acompanhadas pelo povo a cantar e a bailar.
No final partem os Mareantes para a Beira-Rio terminando a romaria na varanda da sua sede, num ritual que é acompanhado pelo povo ainda presente a testemunhar que a tradição foi cumprida.


8 de Janeiro de 2010



Bibliografia:. FERREIRA, J. A. Pinto - «Barqueiros e "mareantes do rio Douro" : festejam S. Gonçalo». In: Boletim Cultural da Câmara Municipal do Porto. - Vol. 26, fasc. 3-4 (Set./Dez., 1963), p. 721-734 : il.
. GUIMARÃES, Gonçalves, 1951- ; PEDROSA, Luis, fot ; GONÇALVES, Hernâni, fot. - São Gonçalo e São Cristóvão: Vila Nova de Gaia: o santo é nosso. Vila Nova de Gaia : Câmara Municipal, D.L. 2006. 30, [1] p. : il. ; 34 cm. PT251609/06. ISBN 978-989-95088-1-1