quinta-feira, 2 de junho de 2016

A obra de António de Azevedo como professor e artista (arquitecto, escultor, desenhador artístico e urbanista)

O professor

Escola Técnica Francisco de Holanda, onde foi Director e Professor

Escola Secundária Francisco de Holanda , na actualidade (Guimarães)

Busto de figura feminina (Colecção da ESFH, Guimarães)



O arquitecto e urbanista

Monumento ao Gravador Molarinho, Lg. Condessa do Juncal (Guimarães)
Arquitetura António de Azevedo; Escultura A. Teixeira Lopes

Monumento a Alberto Sampaio, Lg dos Laranjais (Guimarães)
Arquitetura e escultura de António de Azevedo e filho Gil Azevedo

Projecto do Monumento a Martins Sarmento, Lg. do Carmo (Guimarães)
Arquitetura e escultura de António de Azevedo

Arranjo urbanístico do Largo do Carmo (Guimarães)


O escultor

"Faunito", Alameda de S. Dâmaso (Guimarães)
Arquitetura e escultura de António de Azevedo

António de Azevedo esculpindo "Florinda", após o seu regresso de Paris


Busto de homenagem a Torres Carneiro, Hospital da Misericórdia (Guimarães)
Arquitetura e escultura de António de Azevedo

Inauguração do Monumento a Martins Sarmento, Lg. do Carmo (Guimarães)

Busto de António Carneiro

O desenhador artístico (Colecção da S.M.S. - Guimarães)





O professor e artista: apreciações sobre a sua obra e personalidade

"Conhecendo Paris primeiro que Lisboa, ali estudando e posteriormente caldeando o seu talento com os dos moços artistas seus contemporâneos que tiveram o cuidado de imbuir as explosões do seu talento modernista com as raízes da originalidade genuína da raça, António de Azevedo trouze à escultura portuguesa o lirismo e a espiritualidade dos quais andava tão arredada com os surtos positivistas do realismo académico, influenciados pela filosofia cientificante da Arte do francês H. Taine.
Cedo compreendeu que a Arte não pode ser unicamente o “ofício”, a actividade oficinal, ideia tão grata a muito escultores e pintores do período de transição do séc. XIX para o XX, baseada aliás no fabricismo revolucionário da época. (…)
Amando a Arte com a veemência própria dos espíritos de eleição, nunca a submeteu a outros princípios que não fossem os do seu idealismo, mantendo-a livre de acorrentamentos perniciosos."

SOARES, Américo - Um grande Artista. Notícias de Guimarães, 27.04.1968 

“Professor do ensino técnico durante algumas dezenas de anos, primeiro no Porto e depois em Guimarães, onde dirigiu devotadamente, com o zelo e o carinho de um sacerdócio, a sua Escola Industrial e Comercial, ele ganhou legitimamente o direito ao título de cidadão vimaranense pelo interesse que nunca deixou de mostrar pelas gentes, pelas coisas, pelos valores e pelos problemas da velha cidade.”

MENDONÇA, Aníbal - Crónica de Braga. O Primeiro de Janeiro, 05.05.1968


"O busto de meu Pai, que tenho a sorte de possuir, admirável, definitivo como retrato e como obra de arte. A maneira como realizou o seu olhar, olhar que não se vê mas que se sente, que está lá, penetrante, aqueles olhos de meu Pai que nos penetravam, que iam até ao fundo de nós mesmos, deu-no-los o António de Azevedo sem os lá pôr.
Não há olhos há olhar, o que é mais verdadeiro ainda. (…)
O seu nome deve figurar no primeiro plano dos escultores portugueses."

Porto, Novembro de 1964

Carlos Carneiro


"Para além do António de Azevedo professor, esteve sempre bem distinto o António de Azevedo escultor e o investigador vigoroso e seguro. O professor, na sua concepção, não se pode afastar da vida e para isso é necessário que mantenha um contacto permanente e um convívio produtivo com a mesma, ainda mais se é artista."

SOARES, Américo - Um grande Artista. Notícias de Guimarães, 27.04.1968


"Fez da sua sala de aula atelier para as suas obras de arte; as suas horas livres gastou-as unicamente no estudo e inventário do património artístico do Termo de Guimarães."

VIMARANES, Pedro de - A identidade vimaranense de António de Azevedo. Notícias de Guimarães, 27.04.1968, p. 1


"Intelectualmente superior, não era o escultor António de Azevedo um homem simples. Entre o homem e o artista houve sempre algo de diferente. Ouvindo-o, irónico e muitas vezes rebarbativo, a mim próprio perguntava: onde estará o escultor de maravilhosas cabeças de mulher, de sorriso confiante, meiga expressão de olhar, repousantes e mesmo de sã ingenuidade?"

FARIA, Mota Prego de - Dissonância. Notícias de Guimarães, 27.04.1968


"As figuras que modela, esbeltas, graciosas e decorativas, requerem jardins, silêncios de lagos ou mistérios de campos-santos. Em Guimarães deixou gravadas algumas destas composições, ora em cemitérios, ora em jardins de sabor antigo e íntimo. O monumento a Martins Sarmento, de discreta arquitectura. é um resultado estético das suas comoções plásticas, assim como a Fonte do Sátiro. O grupo Dançarinas, aqui reproduzidos, que é, sobremaneira, uma combinação de ritmos, à maneira de Joseph Bernard, escultor francês, que sempre impressionou o nosso artista. Todavia os mármores reproduzindo cabeças de raparigas simples, tipos populares que ele elegantiza e até intelectualiza na sua expressão total, seriam suficientes documentos para firmar um nome com segurança, se Portugal não fosse um país descuidado com os seus autênticos valores, que deixa estiolar pelos buracos das províncias e raramente coloca nos patamares da justiça, ocupados por outros mais astuciosos sem que ninguém se aperceba do logro ou tenha coragem para os deslocar e pôr em seu devido lugar.
(…)António de Azevedo multiplica-se constantemente. Dirige uma escola, importante, ensina desenho a inúmeros operários, é arquitecto, cultiva a arqueologia artística, faz parte de comissões de arte e de ensino, e nunca deixa de esculpir, embora lhe sejam raros os ensejos e as emulações para a criação da obra que sonhou. Além dos bustos femininos a que me referi, é também autor dos retratos dos pintores António Carneiro e Joaquim Lopes, do médico Magalhães Lemos, do industrial Álvaro Miranda e ainda doutros mais, retratos admiráveis onde a transmissão psicológica é notável, podendo ser contado entre os melhores retratistas portugueses."

MACEDO, Diogo de - A obra do escultor António de Azevedo. O artista de valor, tão mal reconhecido. Ilustração, n.º 324, Lisboa, 1939, pp. 20-21



Investigação de António Conde

Sala de Fundo Local e Regional Armando de Matos, Junho 2016




quarta-feira, 1 de junho de 2016

A obra de António de Azevedo como arqueólogo, ensaísta e crítico de arte














O arqueólogo, ensaísta e crítico de arte: apreciações sobre a sua obra

“E quantas mais Obras que a sua Arte esculturou e que, para sempre, ficarão a emocionar as gerações?...
Porém, não é apenas pelo seu labor plástico que coevos e provindouros se sentirão ligados a António de Azevedo ou à sua memória, mas ainda porque o Artista tem sido, simultaneamente, um notável arguto e operoso crítico de arte.
Pela sua pena perspicaz, ficaram arrumadas, de uma vez, algumas hesitações antigas, como aconteceu com o chamado Colosso de Pedralva que foi forçado, pelo crítico, a desertar da sua mitológica posição de Príapo, para, mais comezinhamente e mais cristãmente, se contentar com a subposição de João Baptista. Arrumação definitiva também a deu, António de Azevedo, à identificação das figuras laterais do janelão da Oliveira, que andava errada. Em outros casos contraditandos; como é o caso das figurinhas tocadores de olifantes, que se vêem esculpidas em modilhões e capitéis românicos, julgadasm, por alguns, como documentos plásticos da gesta de Roncesvalhes, a sua intervenção não terá sido tão definitiva, mas, nem por isso António de Azevedo deixou de ser um esclarecido intérprete de certos pormenores da iconografia medieva. Sugestão ousada, talvez, mas sugestão que tanto apetece acreditar é a embaladora justificação daquele senhor barbado que dorme, deitado de lado, no peitoril do janelão da Oliveira, e que o Crítico, sagaz e engenhoso, interpretou como uma estátua de Jessé sobre a qual se teria erguido, outrora, uma verdadeira Árvore de Jessé, de pedra como o patriarca, semelhante àquelas que, de madeira, existem nuns quantos templos nortenhos; e que terá sido destruída por uma das muitas determinações vandálicas de reitores ou de priorados. E que diremos da descoberta e interpretação das duas tábuas primitivas de S. Torcato? E de quantos mais casos de Crítica de Arte e de trabalhos de Escultura se poderia falar ainda?"

MENEZES, Mário de - Um grande artista e um grande crítico. Artes e Letras. Notícias de Guimarães, 27.06.1965


"Nem sempre trabalhava. Lia muito e escrevia. Era crítico de arte, não ressaltando, porém, dos seus trabalhos – e nem tão poucos foram – o deliberado desejo de ferir, de magoar. Expondo com clareza, procurando convencer pela argumentação, fazendo-o por vezes com o calor que a razão e o conhecimento dão, não se vislumbra outro fim que não seja esclarecer, procurar a verdade."

FARIA, Mota Prego de - Dissonância. Notícias de Guimarães, 27.04.1968, p. 1 


"O seu labor, avulso, interpolado, fragmentário, não muito intenso, distribui-se prodigamente pelo magistério, pelas tertúlias de amigos e companheiros, pela sua oficina, pela leitura, pelas suas jornadas de peregrino de templos, sarcófagos, castros e citânias – “Como eram cobertas as casas redondas da Citânia” e “O Pintor de S. Torcato” são outras das suas apreciáveis contribuições de estudioso que lhe ficou a dever o concelho de Guimarães – e só o seu feitio de sonhador e de introvertido, a sua eterna insatisfação, a sua lassitude física, a sua pronunciada tendência de sarcasta, confundida por muitos, sem razão, com o azedume crónico e acutilante, a sua hostilidade a dogmatismos fechados e a inovações deformadoras, a sua tranquila modéstia e a sua descrença de mitos e de privilégios ilícitos não permitiram realmente que nos legasse a maravilhosa obra capaz de lhe granjear uma excepcional posição cimeira na escultura nacional e até na europeia."

MENDONÇA, Aníbal - Crónica de Braga. O Primeiro de Janeiro, 05.05.1968


"António de Azevedo foi Professor e Diretor da Escola Técnica; tarefas mais que bastantes para ocuparem o tempo nornalmente útil dum homem normal,produziu obras de alto valor artístico, como escultor; estudou e alcançou alto nível de cultura e erudição, mormente nos campos da Arqueologia e História de Arte; e praticou, com argúcia e com denodo, a investigação e a crítica.”

CRAVEIRO, José - Jornal Notícias de Guimarães, 27.04.1968


"Contudo, na exaltação do Artista, olvida-se, com frequência, uma faceta importantíssima da sua propensão intelectual; - a de Arqueólogo."

AZEVEDO, Rogério - O Escultor António de Azevedo. Notícias de Guimarães, 27.04.1968, p. 1 


Bibliografia ativa de António de Azevedo na BPMVNG

Os arcos dos paços do concelho de Guimarães : estudo arqueológico,  Guimarães : Câmara Municipal, [19--]. - 19 p. : il. ; 21 cm
Cota:  6123-SP

Um caso de escultura,  [Porto] : [Imprensa Portuguesa], 1948. - 15 p. : il. ; 24 cm
Cota: 97-DM  

Como eram cobertas as casas redondas da Citânia?, Guimarães : Tip. Minerva Vimaranense, 1946. - p. 1-15 : il. ; 23 cm. Separata da: Revista de Guimarães, fasc. 3-4, vol. LV
Cota: 169-DM

O Dr. Manuel Monteiro e a «Chanson de Roland» no românico português, Braga : [s.n.], 1952 (Oficinas Gráficas da Livraria Cruz). - p.1-18 : il., 4 fot. ; 24 cm. - (Edições Bracara Augusta ; 27). Separata de: Bracara Augusta, vol. IV, nº 1 (22)       
Cota:  683-DM

Mais um passo da «Chanson de Roland» no românico português. Braga : [s.n.], 1957. - P. 1-12 : il., 4 fot. ; 24 cm. Separata da: Museu, vol. IV, nº 8, 1945
Cota: 684-DM

O Mausoléu de S. Frutuoso de Braga : Guimarães 1961-1964,  Braga : [s.n.], 1964. - 48 p.
Cota:  2721-SP

O "Monumento Funerário" da Citânia : (nova interpretação),  Guimarães : Tip. Minerva Vimaranense, 1946. - p. 1-19 : il. ; 23 cm - Separata do fasc. 1-2 do vol. LVI da «Revista de Guimarães». 
Cota: 98-DM 

O pintor de S. Torcato,  Guimarães : Câmara Municipal, 1962. - 14, [2] p., [4] f. estampas : il. 
Cota: 7974-SP

Santa Maria de Guimarães : um problema de toponímia e arqueologia artística, [Guimarães] : Câmara Municipal, 1956. - 34 p. : il. ; 26 cm
Cota: 687-DM /7902-SP


Investigação de António Conde


Sala de Fundo Local e Regional Armando de Matos, Junho 2016



Exposição: “António de Azevedo (1889-1968) - o (re)encontro com o escultor gaiense e com a arte dos artistas gaienses em terras de Guimarães"

António de Azevedo junto ao Monumento a Martins Sarmento, de sua autoria

Cartaz da Exposição da Biblioteca Municipal de Vila Nova de Gaia

Busto do escultor Viana Paredes - junto à Câmara Municipal de Guimarães

Menina à beira da água - Jardim de S. Dâmaso (Guimarães)

Figura feminina - Café Aviz (Porto)

Busto de António Carneiro


Homenagem a José de Pina - Penha (Guimarães)

"A homenagem devida nos 125 anos do nascimento do escultor - 11.12.1889 – 11.12.2014"


 APRESENTAÇÃO

O presente projeto visa homenagear o escultor António de Azevedo, nascido em 11.12.1889, na Rua Marquês de Sá da Bandeira, em Mafamude.
Foi condiscípulo dos escultores gaienses Diogo de Macedo, Henrique Moreira, Zeferino Couto, Sousa Caldas e Manuel Martins, na Escola de Belas Artes do Porto onde, em 1911, se formou em Escultura e Arquitetura. Em Paris, onde estudou, privou com grandes nomes das artes e das letras e chegou a ser retratado pelo célebre Madigliani, na Cité Falguière.
 Depois do regresso forçado, em 1914, aderiu ao movimento modernista tendo participado em várias exposições deste movimento.
Em 1931 “desterrou-se” em Guimarães onde foi professor e diretor da Escola Industrial. Aí projetou e esculpiu diversos monumentos, sendo de destacar os de Martins Sarmento, Alberto Sampaio, Gravador Molarinho e as esculturas da Menina e Fonte do Sátiro, no Jardim Público, e bustos na Misericórdia, na Ordem de S. Francisco, em Pevidém, na Penha e o monumento tumular da família do Paço de S. Cipriano.
Tem ainda esculturas espalhadas em espaços públicos e privados em Felgueiras, Espinho, Crestuma, Vila Flor, Gaia, Braga, Famalicão, Porto, e na antiga cidade de Lourenço Marques; a sua obra faz parte de coleções de vários museus nacionais localizados em Lisboa, Porto, Caldas da Rainha, Guimarães, Amarante e Famalicão. Estes conjuntos escultóricos, nomeadamente os que adornam o espaço público, são a face mais visível do valor inegável deste grande escultor que ficou também conhecido pelos seus estudos e ensaios de arte e arqueologia.
Na sua terra natal a sua figura e obra são quase desconhecidas, pelo que é imperioso divulgá-las para que o nome deste membro, de pleno direito, da “Escola de Gaia” não caia, de vez, no olvido.
Paralelamente, aproveita-se o ensejo para a divulgação do seu itinerário artístico em Guimarães e o dos artistas gaienses aí presentes, tais como Soares dos Reis, Teixeira Lopes, Guilherme Camarinha, Joaquim Lopes e Gonçalves da Silva, no contexto da arte pública e da arte musealizada. Será ainda dado realce aos artistas gaienses das oficinas de fundição e de cerâmica de arte, cujos trabalhos estão aí também representados. 

Vila Nova de Gaia, 11.12.2014

                                                      António Conde


Cronologia da vida e obra

1889 – Nasce em 11 de Dezembro na Rua de Sá da Bandeira, na freguesia de Mafamude, filho de Abílio Pereira de Azevedo, industrial, e de Francisca Ferreira Alves.

1900 – Fez exame de instrução primária elementar do segundo grau, no Liceu Central do Porto, obtendo 14 valores.

1902 – Inscreve-se na Academia Portuense de Belas Artes. Tem como mestres José de Brito, Silva Sardinha e Teixeira Lopes e, como condiscípulos, Diogo de Macedo, José Fernandes de Sousa Caldas, Henrique Moreira, Zeferino Couto, Manuel Martins e os irmãos Manuel Marques e Francisco Marques.

1909 – Passa a residir na Rua 14 de Outubro. Executa o primeiro trabalho de escultura, em conjunto com outros colegas, para um busto de homenagem a Rocha Peixoto que nunca passou do barro. Executa Maquete para o “Monumento à Guerra Peninsular”.

1911 - Termina a formação no curso de Desenho Histórico, Arquitetura e Escultura. O seu trabalho final do curso é subordinado ao título “Um homem do povo, mortalmente ferido, no último arranco da agonia, grita: Viva a Pátria!” Parte para Paris, onde permanece até 1914 quando eclode a guerra. Priva com grandes figuras das letras e das artes plásticas como Modigliani (que lhe fez o retrato), o pintor José de Andrada (Brasileiro), Wast Rodrigues (brasileiro), Diogo de Macedo, Padre Mariotte, Aquilino Ribeiro, Armando Basto, etc.

1914 – Regressa a Portugal onde adere ao modernismo, procurando na sua obra o equilíbrio, a harmonia, a unidade e afastando a exuberância. Executa o busto em bronze designado “Crepúsculo”, feito em Paris. Foi executado em mármore, na sua terra natal, o exemplar que se encontra no Museu Alberto Sampaio.

1915 – Foi animador da I Exposição de Humoristas e Modernistas que teve lugar no Porto, em Maio e Junho, no Jardim Passos Manuel. Participa com 16 desenhos da sua autoria, assim como foi o autor do cartaz do salão.

1918 – Executa “Florinda” - busto em mármore que se encontra no Museu Nacional de Soares dos Reis. Existe réplica em gesso no Museu de Alberto Sampaio.
1922 – Casou, na Conservatória de Fafe, com D. Maria Emília Vila Verde Machado Gomes Falcão, em 10 de Dezembro.

1924 – Executa “Professor Magalhães Lemos” – busto em mármore existente no Museu de Anatomia da Faculdade de Medicina do Porto. Há uma réplica em bronze, na Praça do Município em Felgueiras, com arranjo arquitetónico de António de Azevedo e alguns elementos escultóricos de Henrique Moreira.
 – Executa “Luís de Magalhães Basto – cabeça em bronze na posse da família do homenageado, em Lisboa. Gesso no Museu de Alberto Sampaio.

1925 – Faz parte da Comissão Técnica do Grupo de Amigos do Mosteiro da Serra do Pilar. Foi professor de Desenho Ornamental, Desenho Geral e Modelação na Escola Faria Guimarães (Porto). Em Novembro, participa no Salão Silva Porto. Participa em exposições coletivas em Lisboa e Lourenço Marques (atual Maputo). Executa “Ema” – cabeça em mármore, na posse da família do Engº Ângelo de Morais, de Crestuma  e “Pintor Joaquim Lopes” – busto em bronze, na posse da família do pintor, na Foz do Douro.

1926 – Executa “Adriano Ramos Pinto” – busto em mármore, na posse da Casa Ramos Pinto, em Gaia.

1927 – Executa “Professor Vicente de Carvalho” – medalhão em bronze, que seria colocado no exterior do antigo edifício da Faculdade de Medicina. Executa “Professor J. A. Pires de Lima” – medalhão em bronze

1928 – Executa “Pintor António Carneiro” – busto em bronze existente no Museu Nacional de Arte Contemporânea em Lisboa. Existe um exemplar no Museu de Amarante e um terceiro na posse da família de Carlos Carneiro, no Porto.

1929 – Figura como modelo na segunda versão do quadro de António Carneiro “Camões lendo ‘Os Lusíadas’, em que o poeta está de pé.

1930 – Foi professor na Escola Infante D. Henrique; Faz o estudo para o grupo “A Dança”, em gesso; Executa “Alberto Saavedra” – cabeça em bronze, na posse da família. Participa no I Salão dos Independentes, que tem lugar em Lisboa em Maio de 1930, com um busto do escritor Visconde de Vila-Maior (em bronze) e “Fauno”, uma estatueta decorativa.

1930/1931 – Participa no concurso para uma escultura não rememorativa para alindamento da Avenida dos Aliados, do que saiu vencedor a proposta de Henrique Moreira, sob a divisa de “Meninos”. António de Azevedo, que concorreu com o arquiteto F. Ferreira da Silva, sob a divisa “No País das Uvas”, obteve o segundo prémio. António de Azevedo concorreu ainda individualmente com outra proposta sob a divisa “Terpsicore”.

1930/1931 – Inicia funções como professor e diretor da Escola Francisco de Holanda

1932 – Foi convidado pela Câmara Municipal de Guimarães para fazer parte da  Comissão de Estética.

1933 – Executa o Monumento a Martins Sarmento, no Jardim do Carmo, em Guimarães. O arranjo arquitetónico do monumento em granito é da sua autoria.

1934 – Executa “Maria da Graça” – cabeça em bronze – Museu abade de Baçal, em Bragança. Existe um exemplar em mármore, na posse da família da homenageada e de seu marido Dr. Francisco Alambre, em Lisboa.
– Executa “Faunito” ou “Fonte do Sátiro” – escultura em bronze, em fonte com arranjo arquitetónico do escultor, existente em Jardim Público de Guimarães. Terá existido um outro exemplar desta escultura na antiga Fábrica de Tecidos de Seda Avis, no Porto.

1935 – Executa “Professor Alberto de Aguiar – baixo-relevo em bronze; Foi autor do conjunto arquitetónico dedicado à memória do Gravador Molarinho, cujo medalhão é da autoria de Teixeira Lopes; Executa “Professor António de Oliveira Salazar”, um busto em bronze, para a Câmara Municipal do Porto. Executa o mausoléu da família do Paço de S. Cipriano, em granito, existente no cemitério de Tabuadelo (Guimarães).

1936 – Executa “Marechal António Óscar Fragoso Carmona”, um busto em bronze, para a Câmara Municipal do Porto. Existe outro exemplar no Museu de José Malhoa e terá existido um terceiro comprado pelo município da antiga cidade de Lourenço Marques.

1937 – Executa “Rio Douro” – baixo-relevo em bronze – Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento do Porto.

1938 – Executa a “Memória de José Pereira Torres Carneiro” – medalhão em bronze e granito existente no antigo Hospital da Misericórdia de Guimarães.

1939 – Integra a Comissão Central das Comemorações das Festas Centenárias de 1940, em Guimarães; Executa o monumento ao poeta João Penha – busto em bronze, existente em Braga. Arranjo arquitetónico do escultor;  – Executa “Maria Antónia” – cabeça em bronze; Executa “Menina à beira da água – figura em bronze existente em fonte no Jardim Público de Guimarães. Arranjo arquitetónico do escultor.

1941 – Executa “D. Manuel II” – gesso existente no Museu Alberto Sampaio. Exemplar em gesso patinado a bronze no Museu Nacional de Soares dos Reis; – Executa “Morena” – cabeça em bronze.

1942 – Executa “Professor José de Pina” – busto em bronze existente na montanha da Penha em Guimarães; Executa “Dulce” – busto em gesso; Descobre uma valiosa pintura do século XVI representando a “Adoração dos Magos”.

1943 – Executa “Francisco de Assis Pereira Mendes” – cabeça em bronze na posse da família; Executa “Rapariga do cântaro ao ombro” – gesso

1944 – Executa “Comendador Alberto Pimenta Machado” – busto em bronze – Museu de Alberto Sampaio e na antiga loja comercial da família;  Executa “António Lima” – cabeça em bronze

1944 – Participa na III Exposição Independente que tem lugar no Coliseu do Porto.

1946 – Publica os estudos “ O ‘Monumento Funerário’ da Citânia: (nova interpretação)” e “Como eram cobertas as casas redondas da Citânia?”.

1947 – Executa “Francisco Inácio da Cunha Guimarães” – busto em bronze existente em Pevidém (Guimarães); Executa uma figura decorativa – nu feminino, em bronze existente no Café Avis, no Porto.

1948 – Publica o estudo “Um caso de escultura”.

1949 – Executa “Julieta” – cabeça em bronze na posse da família do Dr. Manuel Gomes de Almeida, em Espinho.

1950 – Em Guimarães foi convidado a integrar a Comissão de Arte e Arqueologia que substitui a Comissão de Estética, destinada a dar parecer sobre os projetos de construções e a recuperação urbanística; Executa o “Monumento ao escritor Júlio Brandão” – alto-relevo em bronze existente em Vila Nova de Famalicão. Arranjo arquitetónico do escultor; Executa o “Mausoléu de José de Araújo Carvalho” – busto em bronze no cemitério de Louro, em Vila Nova de Famalicão. Arranjo arquitetónico do escultor.

1951 – Executa “Artur Cupertino de Miranda” – cabeça em bronze, na Fundação Cupertino de Miranda, em Vila Nova de Famalicão.

1952 – Publica “O Dr. Manuel Monteiro e a ‘Chanson de Roland’ no românico português”.

1953 – Executa o “Monumento a Alberto Sampaio” – baixo-relevo em bronze, numa praça de Guimarães. Arranjo arquitetónico do filho do escultor Gil de Azevedo. Participa na preparação das Festas Milenárias, em Guimarães.

1955 – Executa “José Pereira Torres Carneiro” – cabeça em bronze, existente na Venerável Ordem Terceira de S. Francisco, em Guimarães.  Executa “Dr. Joaquim Trigo de Negreiros” – baixo-relevo em bronze, existente em Vila Flor.
1956 – Publica o estudo “Santa Maria de Guimarães: um problema de toponímia e arqueologia artística”.

1957 – Publica “ Mais um passo da «Chanson de Roland» no românico português”.

1958 – É aposentado da sua função de professor e de Diretor da Escola Francisco de Holanda. 

1959 – Executa “Bernardino Jordão” – cabeça em bronze, na posse da família. Existe outro exemplar nas instalações da Firma Bernardino Jordão. Publica “Os arcos dos paços do concelho de Guimarães: estudo arqueológico”.

1962 – Publica “O pintor de S. Torcato”. Executa “Dr. Domingos Leite Pereira” – busto em bronze, existente em Braga

1965 – Publica “O Mausoléu de S. Frutuoso de Braga”. A 15 de Fevereiro a Emissora Nacional 
difunde o programa “Horizonte – semanário de letras & artes”, a propósito da exposição retrospetiva da sua obra. Realiza-se uma homenagem pública, a 26 de Junho, em Guimarães, promovida pela “Assembleia de Guimarães” e onde são reunidas muitas das obras do escultor dispersas pelo país.

1968 - Faleceu na freguesia de S. Paio (Guimarães) em 18 de Abril e jaz sepultado no cemitério da Atouguia (Guimarães)

1990 – É realizada uma “Semana Aberta”, em sua homenagem, que tem lugar na Escola Secundária Francisco de Holanda e é patrocinada pelo seu amigo Dr. Santos Simões.

2012 – No âmbito do Programa Constelações da Capital Europeia da Cultura 2012, a Assembleia de Guimarães, a Muralha – Associação para a defesa do Património e o Cineclube de Guimarães deram corpo ao projeto de estudo e divulgação da vida e obra do escultor.  Em Dezembro foi publicado o livro sobre a vida e obra do escultor sob o título “António de Azevedo – via e obra” da autoria da Drª Rosa Maria Saavedra e com fotografias de José Pastor.

2013 – Em Junho foi inaugurado, num recanto do Largo Cónego José Maria Gomes, junto à Câmara Municipal, um monumento em granito de homenagem ao escultor com uma escultura da cabeça do homenageado, da autoria de Viana Paredes.



Agradecimentos: 
Drª Rosa Saavedra (Museu de Alberto Sampaio -Guimarães)
Direção da Escola Secundária  Francisco de Holanda – Guimarães, 
Prof. Carlos Guerra Ferreira (Escola Secundária  Francisco de Holanda – Guimarães) 
Escultor Viana Paredes (Escola Secundária  Francisco de Holanda – Guimarães) 
Sr. Belmiro Jordão (Ministro da Venerável Ordem Terceira de São Francisco – Guimarães) 
Presidente da Sociedade Martins Sarmento (Guimarães) 
Dra. Alexandra Marques (Arquivo Municipal Alfredo Pimenta - Guimarães)



BIBLIOGRAFIA E FONTES


FONTES
– A.N.T.T. (Arquivo Nacional Torre do Tombo) – PT/TT/EPJS/SF/001-0021/1361F – Modelo do Padrão de Lourenço Marques (do  Arquiteto José Fernandes da Silva e Escultor António Azevedo).
- A.D.P. (Arquivo Distrital do Porto) -   PT-ADPRT-PRQ-PVNG10-001-0044_m0003 – registo paroquial nº 1890 de batismo de António Ferreira de Azevedo
- FBAUP – Arquivo – Processo do aluno António Ferreira de Azevedo
- Arquivo da Sociedade Martins Sarmento - Guimarães. Fundo documental do escultor António de Azevedo.

BIBLIOGRAFIA ATIVA
.AZEVEDO, António de - Um caso de escultura,  [Porto] : [Imprensa Portuguesa], 1948. - 15 p. : il. ; 24 cm
. AZEVEDO, António de - O "Monumento Funerário" da Citânia : (nova interpretação), Guimarães : Tip. Minerva Vimaranense, 1946. - p. 1-19 : il. ; 23 cm - Separata do fasc. 1-2 do vol. LVI da «Revista de Guimarães».
.AZEVEDO, António de - Como eram cobertas as casas redondas da Citânia?, Guimarães : Tip. Minerva Vimaranense, 1946.
. AZEVEDO, António de - Santa Maria de Guimarães : um problema de toponímia e arqueologia artística,  [Guimarães] : Câmara Municipal, 1956.
. AZEVEDO, António de - Mais um passo da «Chanson de Roland» no românico português. Braga : [s.n.], 1957
. AZEVEDO, António de - O Dr. Manuel Monteiro e a «Chanson de Roland» no românico português,  Braga : [s.n.], 1952 (Oficinas Gráficas da Livraria Cruz) - (Edições Bracara Augusta ; 27).
 . AZEVEDO, António - Os arcos dos paços do concelho de Guimarães: estudo arqueológico,  Guimarães : Câmara Municipal, [19--]
. AZEVEDO, António de, 1889-1968 - O Mausoléu de S. Frutuoso de Braga: Guimarães 1961-1964,  Braga : [s.n.], 1964.
. AZEVEDO, António de - O pintor de S. Torcato. Guimarães : Câmara Municipal, 1962.
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. http://www.fcm.org.pt/Museu.aspx?p=artistas
.http://www.oconquistador.com/noticia.asp?
. http://passadofuturivel.blogspot.pt/2012/12/o-escultor-de-guimaraes.html
.http://www.pportodosmuseus.pt/2013/02/08/artigo-recensao-critica-do-livro-antonio-de-azevedo-e-guimaraes-vida-e-obra-por-antonio-jose-de-oliveira/
. http://sigarra.up.pt/up/pt/web_base.gera_pagina?P_pagina=2351



Texto de António Conde


Nota: Exposição realizada na BPMVNG de 11 a 31 de Dezembro de 2014


Sala de Fundo Local e Regional Armando de Matos, Junho 2016